quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Suframa não aprova projeto da LG Eletronics para Polo Industrial de Manaus

Para o CAS, expectativa de geração de empregos está muito abaixo do esperado, principalmente considerando o grande volume de incentivos públicos obtido pela multinacional.
COMPARTILHE
Na reunião do CAS, projeto da LG Eletronics é retirado de pauta

Um dos destaques da 297ª reunião ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS), realizada na manhã desta quarta-feira (28), o projeto de diversificação da multinacional sul-coreana LG Eletronics foi retirado da pauta da reunião pelo secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, que preside o Conselho.

O projeto apresentando pela empresa previa a diversificação de suas linhas de produção mediante a fabricação de microcomputadores portáteis, monitores de vídeo com tela de LCD, unidades digitais de processamento de pequeno porte com monitores de vídeo e unidades de memórias montadas em um mesmo corpo ou gabinete, com previsão de investimentos de R$ 325 milhões e expectativa de geração de 68 novos postos de trabalho.

Mas, para Carlos da Costa, a expectativa de geração de empregos está muito abaixo do esperado, principalmente considerando o alto nível de investimento previsto pela multinacional.

“Este projeto tem um número de empregos desproporcionalmente baixo, em relação ao volume de investimentos públicos realizados. É cerca de três vezes superior à média histórica da Suframa de investimento público por geração de empregos. Um projeto que tem quase o dobro da renúncia de um outro, que gera cinco vezes mais empregos, precisa ser avaliado com mais critério para ver se conseguimos gerar mais empregos”, alegou.

A comparação foi feita com o projeto de ampliação e atualização da Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda, que prevê a produção de fones de ouvido sem fio, com sistema inteligente de áudio e função principal de conectividade e pareamento por wireless, com previsão de investimentos de R$ 231 milhões e expectativa de geração de 366 novos postos de trabalho.

“O projeto [da LG Eletronics] tem duas vezes mais investimento total de renúncia fiscal e gera seis vezes menos empregos que um outro projeto de uma empresa do mesmo ramo”, concluiu.

O representante do ministério da Economia ressaltou, no entanto, que a retirada do projeto da pauta da reunião desta quarta-feira não implica na reprovação do mesmo.

“Isso não significa a reprovação deste projeto, e sim, um período um pouco mais amplo para que nós consigamos avaliar com cautela e ver se é possível gerar mais empregos. Peço colaboração dos conselheiros para que colaborem para que este projeto, ao ser novamente considerado, consiga gerar mais empregos para a nossa população”, pediu Carlos da Costa.

Projeto leva em conta apenas os novos empregos

Um dos conselheiros do CAS, o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, argumentou que, por se tratar de um projeto de diversificação, o plano da LG apresenta apenas os novos empregos que serão gerados, enquanto as vagas já existentes na fábrica serão mantidas.

Para Périco, a relação gasto tributário/número de empregos não representa a melhor ferramenta para avaliar a efetividade da geração de empregos de um projeto industrial.

“Entendo a preocupação do secretário no chamado gasto tributário com a geração de empregos. Mas, ao se aprovar um projeto, por mais que a geração de empregos pareça ser pequena, ela se dá pela inovação tecnológica que cada vez traz um nível de automação maior e isso representa competitividade. Por trás disso tem os empregos que são preservados. Ao se aprovar um novo projeto, muito daquela mão de obra que já está no ambiente fabril vai ser preservada pela introdução deste novo produto. Então há uma migração interna”, justificou o empresário.

Ao final de sua contribuição na reunião do CAS, Wilson Périco pediu aos demais conselheiros a elaboração de uma metodologia que permita às empresas do Polo Industrial de Manaus continuar atraindo investimentos de tecnologia de ponta criando empregos, segundo ele, “possivelmente em números menores, mas com uma qualificação maior”.

Reportagem: Lucas Raposo

Leia mais:

COMPARTILHE