O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, avaliou, nesta terça-feira (21), que o fluxo comercial entre as indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) e a Argentina não deverá sofrer qualquer tipo de problemas por conta das declarações do presidente eleito Javier Milei.
“O próprio presidente eleito (Javier Milei), pelas declarações dele, disse que relações comerciais são entre entes privados, portanto sem interferência do Estado. Não creio que vá abalar a compra e venda entre as empresas brasileiras e as empresas argentinas”, declarou.
Apesar do tom beligerante contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “comunista” e “corrupto” e garantiu que não o encontraria, Javier Milei terá dificuldades no Congresso Argentino para aprovar temas econômicos que afetem o Brasil, como sair do Mercosul, por exemplo.
O comércio bilateral entre a ZFM e a Argentina rendeu, no ano passado, mais de US$ 27,1 milhões, o que representou quase 40% das nossas exportações. A líder das exportações para os hermanos foi a Moto Honda da Amazônia, que faturou US$ 9,9 milhões com motocicletas de mais de 100cc e menos de 450cc.
Neste ano, contudo, os números mostram que até outubro a Moto Honda já vendeu quase cinco vezes mais, chegando a US$ 48,9 milhões, um resultado expressivo e alcançado graças às vantagens dos países estarem no Mercosul.
Além da gigante do Polo de Duas Rodas, em 2022, a Technicolor Brasil também faturou mais de US$ 9,3 milhões com a venda de receptor de sinal de TV via satélite.
Também exportou para a Argentina, em 2022, a NCR Brasil, Indústrias de Equipamentos para Automações, que faturou US$ 7,8 milhões vendendo dispensador automático de cédulas de papel-moeda.
Para o economista Sérgio Gonçalves Oliveira, a pauta ultraliberal e as convicções de Javier Milei não será um problema para a Zona Franca porque os argentinos não têm alternativas melhores para o abastecimento interno.
“Onde eles vão comprar motocicletas? A melhor alternativa seria a China, mas o Milei também ataca os chineses com ainda mais força do que ataca o Brasil de Lula”, compara, ressaltando que uma saída do Mercosul geraria problemas, mas dificilmente o Congresso argentino aprovaria uma medida deste nível.