Uma das ameaças ao Polo Industrial de Manaus mais recorrentes nos últimos anos foi o discurso de garantir os incentivos previstos na Constituição Federal apenas para os produtos que já têm aprovados Processos Produtivos Básicos (PPBs) e assim frear a expansão do modelo Zona Franca.
“O risco dessa limitação na Suframa é que produtos tem ciclos de vida, eles atingem um pico de sucesso e vendas e depois desaparecem ou são substituídos. Vídeo-cassete, televisores de tubo, filmadoras, CDs e DVDs foram produtos de grande sucesso produzidos em Manaus é que hoje não existem mais em maior ou menor grau“, afirma o economista Márcio Paixão.
Essa ameaça segue ativa no âmbito da Reforma Tributária, que supostamente preserva os incentivos fiscais do modelo Zona Franca de Manaus e garante a competitividade da indústria administrativa da Suframa.
Enquanto lida com essa situação no Poder Legislativo, a Suframa busca formas de acelerar a aprovação dos PPBs de novos produtos e, nessa semana, teve uma rodada de conversas com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), que tem interesse em se instalar em Manaus.
O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, ressaltou a importância da aproximação entre as instituições e reforçou convite para os associados da entidade conhecerem melhor o funcionamento da Zona Franca de Manaus (ZFM).
“Explicamos as vantagens de se investir na ZFM, os passos necessários como a criação de PPB específico e como seria relevante para a economia do Brasil ter aqui um segmento industrial de equipamentos médico-hospitalares, bem como o desenvolvimento de uma cadeia produtiva”, frisou Saraiva.
Suframa quer mais industrias em Manaus
O convite para a Abimo faz parte de um esforço do governo federal, chamado de neoindustrialização brasileira, que busca criar e diversificar segmentos industriais ao redor do país.
Desta forma, a Suframa identificou a necessidade de fortalecer um polo de dispositivos médicos produzidos no Brasil, pois a pandemia da Covid-19 destacou a relevância estratégica de produção local de equipamentos médicos. Sequer máscaras cirúrgicas o Brasil produzia em 2020.
A Suframa confirma que há uma lista de PPBs aprovados para fabricação de equipamentos hospitalares como: acessórios, máscaras, escalpes, seringas, agulhas, gases e oxigênio hospitalar, aparelho de ultrassonografia, tomografia e raio X.
“Saiu um, recentemente, que faz por autoatendimento toda aquela triagem que é feita de forma manual em hospital: medição de pressão arterial, batimentos cardíacos, enfim, esse aparelho faz essa medição automática de todos os parâmetros da triagem, antes da consulta médica”, detalhou Saraiva.
Abimo seria reforço para Suframa em Manaus
Conforme a Abimo, em 2021, foram gerados no País quase R$ 18 bilhões em valores brutos da produção de aparelhos eletromédicos, eletroterapêuticos e equipamentos de irradiação, somados aos instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos.
Ainda segundo dados da Abimo, o setor empregou, em 2021, mais de 72,6 mil pessoas. A Abimo conta com 300 associados e detém 85% do market-share de produtos de dispositivos médicos no país.