quarta-feira, 23 de setembro de 2026

STF mantém bloqueio de R$ 38 milhões de 'corujinhas' em Manaus

Valores se referem a dívida com empresa Consladel. IMMU diz que bloqueio afeta recursos do Passe Livre Estudantil.
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Categoria foi contemplada com projeto de lei de reajuste da Prefeitura (Foto: Divulgação/IMMU)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um recurso pelo qual a Prefeitura de Manaus tentava desbloquear valores das contas do IMMU para pagamento de uma dívida de condenação judicial para a empresa Consladel, que na década passada operou o sistema de radares de trânsito na cidade que ficou conhecido como “corujinhas”.

A dívida soma R$ 38,1 milhões. O valor é referente aos atrasos nos pagamentos mensais da época em que a Consladel prestou o serviço para a prefeitura.

Na sua decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico desta terça-feira (9), Cármen Lúcia narra que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) bloqueou valores das contas do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana para que o total devido fosse pago.

O instituto apontou que, em suas contas, foram bloqueados valores oriundos de contratos com o Governo do Estado para ações como a adaptação do Terminal 6, construção do Terminal T7, aquisição de ônibus elétricos e o custeio da gratuidade do sistema de transporte coletivo, o chamado Passe Livre Estudantil.

Dos R$ 44,4 milhões bloqueados, segundo o IMMU, R$ 24,9 milhões são referentes ao contrato para a aquisição de ônibus elétricos – o que, para o órgão de trânsito, já seria suficiente para suspender o bloqueio.

O IMMU afirma que a presidência do TJ-AM descumpriu o entendimento da Corte ao analisar a ADPF 620, julgada em 2021, quando os ministros decidiram que recursos vinculados à execução de convênios celebrados entre entes federados não podem ser utilizados para pagamento de despesas estranhas a seu objeto por meio de decisão judicial.

Cármen Lúcia negou pedido liminar para suspender o bloqueio e considerou que, embora tomada pelo TJ-AM, a decisão de bloquear é de “natureza eminentemente administrativa na gestão dos precatórios” e não pode ser confundida com bloqueio judicial, aí sim passível de ferir o entendimento adotado na ADPF 620.

Volta dos radares

A prefeitura anunciou no início do ano que voltaria a instalar radares de trânsito na cidades, num esforço para reduzir os acidentes.

Os trâmites para a licitação iniciaram em março. Mas até agora não há previsão dos radares voltarem a funcionar na cidade.

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