A startup Na Floresta – Alimentos Amazônicos está implementando um projeto inovador que visa fortalecer a bioeconomia da Amazônia, promovendo o desenvolvimento sustentável e o respeito à identidade cultural das populações locais.
Com o apoio do Programa Inova Amazônia – Módulo Tração e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a empresa está implementando ações de impacto socioambiental ao valorizar o cacau selvagem de várzea, cultivado por famílias ribeirinhas nas calhas dos rios Madeira e Amazonas.
A startup tem como missão estabelecer parcerias éticas e contínuas com famílias ribeirinhas, que atuam no manejo do cacau selvagem.
O coordenador do projeto, Artur Bicelli Coimbra, mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), defende uma estruturação mais eficiente da cadeia produtiva do cacau, com o objetivo de valorizar os agricultores familiares, garantindo uma remuneração justa para a matéria-prima que produzem.
O cacau cultivado na região amazônica possui características únicas, resultantes das condições especiais de solo e clima da região.
O cultivo é feito de maneira tradicional, por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), garantindo um processo sustentável que respeita a natureza.
Bicelli enfatiza a importância de novas tecnologias para tornar a indústria de chocolate mais competitiva e, ao mesmo tempo, criar produtos alimentícios inovadores com foco na sustentabilidade.
Benefícios para as famílias ribeirinhas
O projeto tem trazido benefícios significativos para as comunidades ribeirinhas de diversos municípios do Amazonas.
Atualmente, mais de 300 famílias estão envolvidas na produção de cacau, com a startup pagando um preço 120% superior ao valor de mercado pelo quilo das amêndoas.
Além disso, a Na’kau oferece treinamentos, equipamentos e assessoria técnica para aprimorar a produção e a organização social dessas famílias, permitindo-lhes um maior entendimento sobre os negócios e o papel que desempenham na conservação da floresta.
Com uma taxa de crescimento anual de 45%, a Na’kau já exporta seus produtos para diversos países.
A longo prazo, a expectativa é expandir a oferta de produtos amazônicos inovadores, baseados em estudos socioeconômicos, com grande potencial de crescimento.
A análise sensorial do cacau e a colaboração direta com os produtores são essenciais para garantir a qualidade da matéria-prima e entender as melhores práticas para conservar a floresta.
O papel da Fapeam e Inova Amazônia
O apoio da Fapeam tem sido fundamental para a evolução do projeto, permitindo melhorias em vários aspectos e possibilitando o crescimento da startup.
O programa Inova Amazônia – Módulo Tração foca em apoiar e desenvolver negócios inovadores, alinhados à bioeconomia e à preservação sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica, proporcionando oportunidades únicas para os empreendedores locais.
O projeto “Na’kau – Em busca da sustentabilidade através de relações éticas” representa um modelo de negócio que une desenvolvimento socioeconômico com conservação ambiental.
A startup está contribuindo para a preservação da floresta amazônica, ao mesmo tempo em que gera renda e melhora a qualidade de vida das comunidades locais, posicionando o Amazonas como um polo de inovação sustentável.
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