segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Sindicalismo perde força com reforma e novas formas de trabalho

Novas tecnologias, desregulamentações e mercados alternativos colocaram em xeque a força do sindicalismo brasileiro
COMPARTILHE

Fim do imposto sindical, a criação do Micro-empreendedor Individual (MEI), desregulamentação de categorias e mercado de trabalho formado a partir de aplicativos derreteu, neste século, a força do sindicalismo que nos últimos vinte anos do século passado embalou um partido, o PT, e fez um tri-presidente da República: Lula.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Amazonas, Valdemir Santana, afirma que o sindicalismo está em fase de transformação e isso demanda dos sindicalistas enfrentar novos problemas para recuperar o protagonismo de outros tempos.

“A Reforma Trabalhista do Temer (Michel, ex-presidente) só tirou direitos dos trabalhadores, inviabilizou sindicatos e nós precisamos cobrar dos nossos parlamentares mudanças. Ficamos muito distantes desses parlamentares que hoje, quando nos recebem, é com uma postura superior”, analisa.

Para Valdemir, retomar a força do sindicalismo envolve também ter um diálogo mais forte com os trabalhadores representados pelo sindicato respectivo e ainda buscar conversas com trabalhadores que hoje se consideram “patrões”, como os motoristas que usam aplicativos para captar passageiros e entregadores e alimentos e bebidas.

“Tem que conversar com os trabalhadores, pois no Brasil só estamos perdendo direitos, pressionar os parlamentares. Só assim vamos garantir direitos, como redução da jornada de trabalho e criação de novos empregos”, defende.

O cientista social Moacir Santos concorda e acrescenta que, na avaliação dele, o maior impacto para o sindicalismo se deu com o uso de plataformas tecnológicas para a contratação de trabalhadores sem qualquer vínculo trabalhista.

“Uma pesquisa do DataFolha mostrou que de cada quatro trabalhadores que usam aplicativos para fazer entregas em São Paulo, três se consideram empreendedores. É uma visão errada, ele é um trabalhador explorado e não sente porque não tem uma jornada estabelecida e nem um chefe. Olha o absurdo!”, diz.

O ex-sindicalista Edilson Barrão, que foi vice-presidente do Sindicato dos Bancários, avalia que algumas categorias perderam força porque simplesmente foram “engolidas” pelas tecnologias e cita como exemplo os próprios bancários.

“Hoje um banco funciona sem trabalhador. Antes, se a categoria paralisasse um dia o País entraria em caos, o cidadão não pagaria suas contas, o empresário não receberia suas dívidas. Hoje tudo isso é feito no caixa eletrônico, que também está ‘ameaçado de perder o emprego’ para os aplicativos de celular”, ironiza.

Sindicalismo imune às mudanças

A força do sindicalismo, contudo, segue presente em categorias que estão imunes à tecnologia ou às desregulamentações que enfraqueceram o poder de negociação com os patrões.

Esse é o caso, por exemplo, das categorias de servidores públicos. Recentemente os professores conseguiram um reajuste salarial de 8% após uma greve em que tiveram o ponto cortado pelo governador Wilson Lima. Após negociação, eles tiveram aumento e o corte foi eliminado.

Outra categoria imune aos novos ventos e que segue influente politicamente é a dos trabalhadores da construção civil, que há três eleições conseguem emplacar um vereador em Manaus, Sassá da Construção Civil (PT), e manter um nível crescente de salários que os inibe de fazer greves como no passado.

Uma terceira categoria que segue firme e forte nas articulações trabalhistas e politicas é a dos Rodoviários, que sempre conseguem eleger um vereador em Manaus, Jaildo dos Rodoviários (PCdoB), e paralisar o sistema sempre que tem negado os pedidos de reajustes.

COMPARTILHE