quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Setor de duas rodas perde mais de 22% dos investimentos em um ano

Entre 2019 e 2020, os investimentos no setor caíram de US$ 1.294 bilhão para US$ 1.009 bilhão, baixa de 22,03%. Reduções afetam o PIM de forma geral desde 2018.
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Investimentos têm queda no PIM

Três dos principais setores do Polo Industrial de Manaus (PIM), no ranking dos investimentos, tiveram reduções na faixa próxima aos 20%, e até superior, entre 2019 e 2020.

De acordo com os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus 2015 – 2020, divulgado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o setor de duas rodas foi o que apresentou a maior queda no nível de investimentos no período. De 2019 para 2020, os investimentos do polo caíram de US$ 1.294 bilhão para US$ 1.009 bilhão, baixa de 22,03%.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nélson Azevedo, confirma a redução dos investimentos no setor. Ele explica que a retração é consequência das medidas sanitárias adotadas no ano passado contra a proliferação da Covid-19.

“Como o nosso modelo é preponderantemente formado por bens duráveis consumidos por todo o território nacional, sentimos o impacto dos reflexos da pandemia da Covid-19, que reduziu a atividade econômica no país e impôs restrições ao comércio e a circulação de pessoas, tudo para evitar a proliferação do novo Corona vírus e o agravamento da doença”, justificou.

Da mesma forma, o segmento de eletroeletrônicos, do qual faz parte o de bens de informática, passou de US$ 2.747 bilhões para US$ 2.189 bilhões, com redução de 20,29% no período.

Por fim, o segmento de termoplásticos reduziu suas alocações de US$ 1.415 bilhão para US$ 1.152 bilhão, com baixa de 18,60% entre os dois exercícios.

Investimentos em queda

No entanto, os níveis de investimentos produtivos no PIM iniciaram uma trajetória de queda muito antes do início da pandemia, em 2018, quando se registrou baixa de 2,88% em relação à média dos investimentos computados no ano anterior. A soma dessas baixas resulta em perdas de US$ 2.24 bilhões nas alocações.

De 2018 a 2020, a indústria amazonense não só manteve as perdas ano após ano, como as aumentou.

Com isso, a média de investimentos produtivos do PIM, aferida em dólar, conforme Indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) são US$ 8.878 bilhões, em 2018, US$ 8.551 bilhões no exercício seguinte, e de US$ 6.901 bilhões no ano passado. Assim, a redução em 2019 foi de 3,69%, enquanto em 2020 disparou para 19,29%.

Sinais Negativos

Para Nelson Azevedo, as perdas acumuladas são reflexos de uma série de ‘sinais negativos’ que o próprio Ministério da Economia, na pessoa do ministro Paulo Guedes, tem enviado a investidores sobre o modelo Zona Franca de Manaus, o que gera dúvidas e insegurança jurídica.

“Muitos sinais negativos recebidos do Ministério da Economia colocaram em dúvida as vantagens comparativas do modelo Zona Franca de Manaus. Essa insegurança jurídica afugenta os investimentos da região e do Brasil. Cada vez que o Ministério da Economia publica uma Resolução ou Portaria reduzindo os impostos dos produtos importados, sem nenhuma contrapartida, ele torna os produtos nacionais menos competitivos. Nesse processo estamos pavimentando o caminho para a desindustrialização no país”, finaliza o empresário.

Reportagem: Eustáquio Libório e Lucas Raposo

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