Encomendada pela revista Veja, uma pesquisa nacional da MindMiners revela que o ambiente digital tem aprofundado o isolamento de adolescentes no Brasil.
Em meio ao lançamento da série “Adolescência”, da Netflix, o estudo expõe a dificuldade dos pais em acompanhar e proteger seus filhos no universo online.
O levantamento mostra um cenário de distanciamento crescente: 48% dos pais dizem que os filhos preferem passar o tempo em redes sociais e no computador.
Apenas 8% relatam prática de esportes, e só 6% mencionam encontros com amigos. A ausência de equilíbrio entre o mundo digital e as relações presenciais aparece como ponto crítico.
Além disso, 50% dos pais admitem não impor qualquer tipo de limite ou demonstrar flexibilidade excessiva em relação ao tempo de tela.
Isso abre espaço para consequências graves: 27% reconhecem que os filhos passam horas isolados no quarto, e 33% afirmam sentir-se inseguros ou muito inseguros quanto ao conteúdo acessado.
O impacto direto desse comportamento digital já é visível. Segundo o estudo, 29% dos pais dizem saber pouco ou nada sobre com quem os filhos interagem nas redes. E 27% relataram que seus filhos já sofreram cyberbullying.
Os números revelam um paradoxo: apesar da consciência parcial de que os filhos estão cada vez mais reclusos e vulneráveis online, muitos pais não sabem o que acontece nesse universo, tampouco intervêm de forma efetiva.
A série “Adolescência”, da Netflix, funciona como um gatilho emocional para famílias que reconhecem na ficção uma realidade vivida dentro de casa.
A obra retrata a pressão social virtual, o medo da rejeição, a ansiedade e os danos psicológicos causados por um mundo em que tudo é exposto e comparado.
Como monitorar os filhos?
Consultados por Veja, especialistas em educação digital e comportamento infantil reforçam a urgência de medidas práticas e afetivas para restabelecer o vínculo entre pais e filhos. Entre as principais recomendações estão:
- O uso de aplicativos de vigilância parental, como o AirDroid Parental e o Net Nanny Parental Control, permite limitar o tempo de uso do dispositivo, filtrar conteúdos inadequados (violência, pornografia, suicídio) e monitorar atividades como chamadas, mensagens de texto e redes sociais. Ambos oferecem versões gratuitas.
- Revisão da privacidade de perfis nas redes sociais, limitando interações a pessoas conhecidas;
- Conversas abertas sobre os influenciadores que os jovens seguem, com foco no conteúdo que consomem;
- Diálogos francos sobre temas delicados como pornografia, bullying, automutilação e desafios virais, antes que esses conteúdos surjam;
- Atenção a mudanças comportamentais repentinas, muitas vezes sinal de sofrimento psíquico;
- Incentivo a atividades offline, como jogos em família, esportes e encontros presenciais com colegas.
As orientações foram reunidas a partir de especialistas da Educamídia, Opice Blum Advogados, PUC-SP e Unifesp.
A internet e o uso diário de crianças e adolescentes
O Brasil é um dos países com maior taxa de uso diário de internet entre adolescentes. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos são usuários de Internet, o que representa aproximadamente 24,5 milhões de indivíduos nessa faixa etária.
O estudo também revelou que 81% dos usuários de Internet entre 9 e 17 anos possuem celular próprio. Essa posse é mais prevalente entre adolescentes de 15 a 17 anos (93%) e menos comum entre crianças de 9 a 10 anos (67%).
Além disso, a pesquisa identificou que 29% dos usuários de 9 a 17 anos relataram ter passado por situações ofensivas na Internet, das quais 31% foram compartilhadas com pais ou responsáveis, 29% com amigos da mesma idade e 13% não foram relatadas a ninguém.
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