terça-feira, 22 de setembro de 2026

Senado aprova medida que estabelece piso para frete de caminhoneiros

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O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a medida provisória que estabelece regras para o piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. O texto, já analisado pelo Congresso, segue para sanção presidencial.

A proposta procura garantir que o valor pago aos caminhoneiros cubra uma parcela mínima dos custos da atividade. Combustível, manutenção, pneus, pedágios, seguros e depreciação dos veículos estão entre as principais despesas enfrentadas por transportadores autônomos.

A aprovação ocorre após anos de disputas entre caminhoneiros, empresas contratantes, produtores rurais e operadores logísticos. Transportadores afirmam que valores abaixo do custo tornam a atividade inviável e obrigam motoristas a ampliar jornadas ou adiar a manutenção dos veículos.

A medida aprovada define parâmetros para a remuneração e fortalece a utilização de referências oficiais no cálculo do frete. O texto segue agora para avaliação da Presidência da República.

O piso foi criado após a paralisação nacional de caminhoneiros de 2018, mas enfrentou questionamentos judiciais e dificuldades de fiscalização. Empresas argumentam que preços mínimos podem interferir na livre negociação e elevar os custos de transporte.

Para os caminhoneiros autônomos, a diferença de poder econômico dificulta negociações equilibradas. Profissionais que precisam pagar financiamentos e manter o veículo em circulação podem aceitar valores insuficientes para evitar ficar sem carga.

A regulamentação precisa considerar as diferenças entre tipos de operação. O transporte de alimentos perecíveis, combustíveis, produtos perigosos e cargas de grande porte possui custos e exigências distintas.

A distância também não é o único fator. Condições das estradas, tempo de espera nos terminais, necessidade de retorno vazio e restrições de circulação influenciam o custo final.

Para o consumidor, aumentos no frete podem ser incorporados aos preços. Quase toda a produção brasileira percorre algum trecho por rodovia, o que torna o transporte de cargas um componente importante da inflação.

Por outro lado, valores artificialmente baixos também produzem custos sociais. Veículos sem manutenção adequada aumentam o risco de acidentes, enquanto jornadas excessivas ameaçam a segurança dos motoristas e dos demais usuários das rodovias.

A fiscalização será decisiva. Sem mecanismos para verificar contratos e pagamentos, o piso pode existir formalmente e continuar sendo descumprido por meio de descontos, taxas ou cobranças adicionais.

Também será necessário manter as tabelas atualizadas. Variações no preço do diesel, nos pedágios e nos custos de manutenção podem tornar rapidamente os valores de referência incompatíveis com a realidade.

A sanção presidencial não encerrará o debate. O setor deverá acompanhar a regulamentação e possíveis questionamentos judiciais. O desafio será proteger a renda dos caminhoneiros sem criar distorções que comprometam o abastecimento e a competitividade da economia.

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