terça-feira, 22 de setembro de 2026

Sem diálogo, David Almeida mantém “PL da Morte” e prolonga a greve dos professores

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Professores da rede municipal protestam em Manaus contra a reforma da previdência aprovada pela Câmara Municipal, exibindo cartazes com críticas ao PL da Morte
Professores usam cartazes e palavras de ordem para criticar a reforma da previdência aprovada na Câmara Municipal de Manaus

Os professores da rede municipal vão continuar em greve e transformaram a Câmara Municipal de Manaus (CMM) em um ponto permanente de resistência ao Projeto de Lei de Reforma Previdenciária enviada pelo prefeito David Almeida (Avante) à Câmara Municipal e que está sendo chamado de “PL da Morte”.

De acordo com os professores, o projeto eleva em sete anos o tempo de contribuição das mulheres e em cinco anos o dos homens.

Segundo a Asprom Sindical, mais de 3 mil servidores da Educação municipal aderiram ao movimento e paralisaram as atividades desde a última quinta-feira (13/11). “O prefeito não dialoga com a categoria, pelo contrário: foge”, destacam.

Em manifestação em frente à CMM na manhã desta segunda-feira (17/11), a frase repetida em coro acompanhado pelos carros de som, é direta: “Se aprovar, a greve vai continuar.”

“Professor na rua, David a culpa é sua”, é outra frase repetida pelos professores em greve.

Apesar do impasse, David Almeida poderia encerrar a crise com um gesto simples: retirar o projeto da Câmara Municipal. Como autor da proposta, o prefeito tem prerrogativa legal para solicitar o arquivamento do texto a qualquer momento antes da votação final. A decisão caberia apenas à sua vontade política — o que, até agora, ele não demonstrou ter. Enquanto insiste em manter o “PL da Morte” em tramitação, a greve se fortalece e o desgaste da gestão aumenta.

Para os docentes, é uma mudança que não considera a rotina exaustiva de quem trabalha todos os dias em salas com mais de 40 alunos, acumulando responsabilidades e lidando com uma estrutura pública que já enfrenta sobrecarga.

A categoria aponta que, em vez de reconhecimento, a reforma representa uma “punição” aos servidores que dedicam a vida inteira ao serviço público.

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Câmara cercada e poucos sinais de diálogo

Uma das principais críticas da categoria é a falta de diálogo tanto da Secretaria Municipal de Educação quanto dos vereadores que apoiam o prefeito na CMM. É quase unanimidade entre os professores que há uma total covardia por parte dos parlamentares.

Na última vez que os professores estiveram na CMM, a Guarda Municipal chegou a fechar o acesso à Casa diante da presença crescente dos professores, que se concentraram logo cedo para pressionar pela retirada da proposta.

Dentro do plenário, porém, a postura dos vereadores segue distinta da mobilização nas ruas. A pauta da reforma permanece aberta para votação, e até agora não há sinais de recuo por parte da base governista, incluindo risadas irônicas do próprio presidente da Casa, vereador David Reis (Avante).

Para os professores, essa distância entre as demandas da categoria e a posição dos parlamentares reforça a percepção de total desrespeito com os profissionais enquanto o projeto avança sem diálogo adequado.

Qualquer mudança nas regras de aposentadoria deveria considerar a realidade de quem mantém a rede municipal funcionando, muitas vezes com salários defasados e acúmulo de funções.

Enquanto isso não ocorrer, os professores garantem: a greve seguirá firme.

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