quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Se Lula vencer, presidente dos EUA enviará assessor para defender transição

Biden quer evitar repetição do tumulto causado pelo seu opnonente nos EUA, Donald Trump, que só foi normalizado 16 dias depois do anúncio oficial.
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Para Biden, Bolsonaro repete a estratégia de Trump de contestar o resultado das eleições (Foto: Divulgação/ONU)
Para Biden, Bolsonaro repete a estratégia de Trump de contestar o resultado das eleições (Foto: Divulgação/ONU)

O governo dos Estados Unidos da América (EUA) planeja organizar a visita ao Brasil de um alto funcionário da Casa Branca para defender diante de autoridades brasileiras a realização de uma transição dentro da normalidade em caso de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL).

A administração Joe Biden chegou a programar a viagem ao país, na semana logo após a realização do segundo turno, do conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan.

A agenda, no entanto, foi cancelada e deve ser remarcada caso Lula saia vitorioso neste domingo (30).

Segundo uma pessoa com conhecimento dos preparativos, que falou à Folha de S.Paulo sob condição de anonimato, o objetivo dos americanos é destacar com autoridades do governo Bolsonaro a confiança da Casa Branca numa transição de poder dentro da normalidade.

Se for confirmada, a viagem de Sullivan ao Brasil será a segunda do assessor ao país. Em agosto do ano passado, ele liderou uma comitiva a Brasília para tratar de temas de segurança, cooperação militar e também sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Em reunião com Bolsonaro à época, transmitiu a mensagem de que o governo Biden via as instituições brasileiras com a capacidade de conduzir eleições livres e justas –o presidente já liderava uma cruzada contra as urnas e o sistema de votação, lançando acusações infundadas de fraude.

A escalada de declarações de teor golpista desde então tem gerado apreensão em Washington. Os americanos avaliam que o líder brasileiro adota um receituário trumpista, preparando-se para questionar os resultados em caso de derrota.

Nos EUA, o então presidente Donald Trump não aceitou a vitória de Biden em 2020 e, em janeiro de 2021, insuflou apoiadores que mais tarde invadiram o Congresso numa tentativa de impedir a certificação do pleito.

Outra preocupação dos democratas é que um movimento de questionamento das urnas possa gerar um processo caótico de transição, nos moldes do que a própria equipe de Biden enfrentou. Sem reconhecer a derrota, o adversário republicano só autorizou o início formal do processo de transição 16 dias após o resultado do pleito.

Texto: Ricardo Della Coetta (Folhapress)

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