A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 se reúne, no final da tarde desta segunda-feira (23), para reorganizar a oitiva do dono da Belcher Farmacêutica, Emanuel Catori, marcada para esta terça-feira (24), mesmo dia em que haverá a sabatina do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, que deverá ser reconduzido ao posto por indicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
De acordo com o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/SP), todos os senadores estão mobilizados para participar da sabatina de Augusto Aras por razões que vão desde sua atuação “light” diante do governo Bolsonaro até aos questionamentos sobre a independência do Ministério Público. “É uma sabatina importante, todos querem participar e, portanto, teremos que decidir se remarcamos o depoimento ou se o tomaremos em outro horário”, afirmou.
As sessões da CPI são marcadas para as 9h (horário de Brasília) e podem se estender até 16h, quando começa a sessão plenária do Senado. A sabatina de Aras foi marcada para este mesmo horário. A tendência é de remarcar toda a agenda da semana, que prevê além da oitiva de Emanuel Catori, a de Roberto Pereira Ramos Júnior, presidente do FIB Bank, na quarta-feira (25), e Francisco Araújo, ex-secretário de Saúde do governo do DF, na quinta-feira.
FIB Bank
Roberto Pereira foi convocado para depor na CPI por requerimento do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). De acordo com o senador, a empresa Precisa Medicamentos teria apresentado uma carta de fiança irregular ao Ministério da Saúde quando tentava negociar a vacina Covaxin. Esse documento irregular teria sido feito pela FIB Bank, do qual Roberto Pereira é um dos sócios. O tema foi tratado no depoimento de Francisco Maximiniano, dono da Precisa, à CPI.
“Esta mesma empresa, que o Banco Central informa não ser autorizada a atuar como instituição financeira, tem sido contestada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nas garantias que tem prestado a contribuintes alvos de execuções fiscais. Na esfera privada, a FIB Bank não tem honrado as cartas de fiança apresentadas em negócios particulares, motivando outras tantas ações judiciais”, afirma Tasso na justificação de seu requerimento.
Distrito Federal
O ex-secretário Francisco Araújo foi convocado por requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE). O senador informa que o depoente é suspeito de participar de “esquema de corrupção montado na Secretaria de Saúde envolvendo a compra de testes rápidos para detectar o novo coronavírus”, e foi preso na chamada Operação Falso Negativo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).
“O senhor Francisco de Araújo Filho foi denunciado por organização criminosa, inobservância das formalidades de dispensa de licitação, fraude à licitação, fraude na entrega de uma mercadoria por outra (marca diversa) e peculato (desviar dinheiro público).
Diante disso, e em atenção aos elementos fáticos coletados junto ao gabinete do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), considera-se que o depoimento do senhor Francisco de Araújo Filho, ex-secretário de saúde do Distrito Federal, permitirá a elucidação de diversos aspectos relacionados ao objeto de investigação da presente Comissão”, diz Girão na justificativa de seu requerimento.
Texto: Gerson Severo Dantas
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