quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Retrocesso na vacinação é culpa do Governo Federal, avaliam deputados federais

A partir de agora, o Amazonas sai da lista de prioridades do Ministério da Saúde e deixa de receber 5% a mais de doses para imunizar sua população.
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Nordeste tem participação maior no orçamento - fundo eleitoral
(Foto: Divulgação)

A decisão do Ministério da Saúde de acabar com a cota extra de 5% das vacinas enviadas ao Amazonas, devido as duas poderosas ondas de casos registradas durante a pandemia de Covid-19, irritou os políticos amazonenses aliados do governo Bolsonaro. Até esta terça-feira (9) por orientação do comitê técnico do MS, os lotes de vacinas recebidos do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz eram divididos conforme a população de cada Estado, mas com um reforço de 5% de um fundo estratégico para os que estivessem em pior situação no momento da distribuição.

“Os estados da região Norte, já beneficiados com esta ação, demonstram evolução na disponibilização de vacina aos grupos prioritários de idosos a partir de 60 anos de idade. Agora, em virtude do cenário epidemiológico com ascensão de casos de Covid-19 em todas as Unidades Federadas do País, interrompeu-se a disponibilização do fundo estratégico”, diz o documento que pode ser lido na íntegra AQUI.

Governo Federal é uma ‘biruta’

O RealTime1 buscou ouvir a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional sobre a nova decisão do Governo Federal. O deputado Bosco Saraiva (Solidariedade) disse que a ação mostra que a administração do país funciona como uma “biruta, que segue conforme sopra o vento”.

“Desde o início falta planejamento. Sempre defendemos a vacinação em massa e, mesmo que precisemos ver o país como um todo, conheço detalhes da sistematização do Amazonas e vou sempre defendê-lo como prioridade”, comentou o parlamentar, relembrando que além dos dois picos da doença no Estado, que abalou o sistema de saúde, há ainda o clima tropical e úmido da região que intensifica a proliferação de diversos outros vírus respiratórios.

O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL), classificou o Governo como “insensível”, endossando também que faltou organização para a aquisição e distribuição das doses.

“Isso é uma insensibilidade com tudo que aconteceu no Amazonas. Se tivessem feito isso no tempo certo, talvez não tivéssemos a situação alastrada pelos outros estados. Vou seguir lutando pela priorização das vacinas para o Amazonas”, frisou Marcelo.

Além de cobrar garantias de responsabilidade quanto ao tempo de entrega das doses em todo o país, o deputado Sidney Leite (PSD) falou que as vacinas são a “chave” para que a economia melhore.

“A economia do Amazonas e de todo o Brasil só voltará ao ritmo de crescimento quando a população estiver vacinada. Essa é condição necessária para a retomada de setores como o do turismo e entretenimento, tão importantes para o nosso estado. Vacinas já”, disse Leite.

Sem respostas

Da mesma forma que procurou deputados federais e senadores, o RealTime1 também quis saber o posicionamento do Governo do Amazonas quanto ao novo informe técnico do Ministério da Saúde e se iria tentar reverter a situação junto ao ministro da pasta, Eduardo Pazuello, ou mesmo com presidente Jair Bolsonaro.

Mas, até a publicação desta matéria, nenhuma resposta foi enviada.

O mesmo aconteceu com os senadores Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB). O trio foi consultado, via telefonema ou WhatsApp, mas não deram retorno quanto seu posionamento.

Texto: Rosianne Couto

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