quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Renan expõe contradições de Mayra sobre caos vivido em janeiro no AM

Mayra Pinheiro responsabilizou as secretarias de saúde do Estado e do Município pela explosão de casos de Covid e pela crise do oxigênio e contradisse Pazuello.
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O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB), usou o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, dado à Polícia Federal para contrapor suas falas durante a oitiva de hoje (25) na CPI.

Um dos pontos do depoimento usado por Renan para mostrar que há contradições entre o que Mayra falou à Polícia e o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello na CPI fala sobre a crise do oxigênio que o Amazonas passou em janeiro.

Segundo o depoimento dela para a PF, Pazuello teria informado sobre a falta de oxigênio em Manaus no dia 8 de janeiro, mas o ex-ministro, na CPI, disse que só soube do caso em uma reunião com o governador Wilson Lima (PSC) e o secretário de Estado da Saúde, Marcellus Campêlo, no dia 10, dois dias depois. Mayra não soube explicar a confusão de datas.

TrateCov

Em outro momento, ao responder mais um questionamento do relator da CPI, Mayra Pinheiro disse que não houve “hackeamento” do aplicativo TrateCov, mas sim uma “extração indevida de dados”. Anteriormente, Pazuello havia dito que o TrateCov foi alvo de hacker e, por isso, foi retirado do ar. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), questionou o porquê do aplicativo ter sido retirado do ar uma vez que não houve hackeamento. Mayra não respondeu.

Mayra em Manaus

Sobre a passagem da secretária do Ministério da Saúde por Manaus, entre os dias 3 e 5 de janeiro, Mayra responsabilizou o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus pela explosão de casos em Manaus e pela crise de desabastecimento do oxigênio. Ela atacou principalmente a rede municipal, criticando a situação em que encontrou as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), administradas pela prefeitura.

“Fomos informados que haviam só 18 UBSs em Manaus, mas nossa equipe encontrou 118, a maioria delas fechadas, sem médicos, sem farmácias abastecidas e, pior, sem fazer testes, misturando pacientes com Covid e outros pacientes”, disse Mayra. Ao responder ao senador Renan Calheiros sobre este cenário, Mayra responsabilizou diretamente a gestão local pela explosão dos casos.

Renan também apresentou um documento no qual Mayra Pinheiro dizia ser “inadmissível” que os médicos que atuavam pela Prefeitura não usarem o tratamento precoce com cloroquina e ivermectina. Ela reconheceu a autenticidade do documento e disse ter sido “uma ação firme” dela diante do quadro do sistema de saúde de Manaus.

“Não havia gerenciamento de crise, planejamento estratégico (…) E o que mais me causou estranheza foi ver que havia uma população de 1,2 mil agentes de saúde que foram dispensados do trabalho. Nós treinamos essa população, oferecemos triagem e oxímetro, eram medidas simples que deveriam ser tomadas”, defendeu.

RealTime1 aguarda um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) sobre as falas de Mayra Pinheiro em depoimento à CPI da Covid. A matéria será atualizada tão logo a pasta se posicione.

Estado nega*

Por meio de nota ao RealTime1, a secretaria estadual negou o que disse Mayra à CPI. Leia a resposta da SES-AM, na íntegra, abaixo:

“A informação não procede. Em dezembro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) estava em plena execução do Plano de Contingência, tendo em vista o recrudescimento da pandemia e o secretário estava à frente dessa condução. Os trabalhos voltados para a abertura de leitos e reorganização da rede de saúde previsto no plano iniciou no final de outubro com todas as áreas envolvidas”.

Texto: Gerson Severo Dantas

*Matéria atualizada às 15h para inserir a resposta da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM)

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