quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Registros de operações financeiras suspeitas ao Coaf cresceram 766% em nove anos

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O número de operações financeiras suspeitas comunicadas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) disparou nos últimos nove anos, passando de 296 mil registros em 2015 para mais de 2,5 milhões em 2024.

O crescimento de 766,6% revela a crescente complexidade das movimentações financeiras ligadas a crimes como lavagem de dinheiro e o avanço das organizações criminosas no Brasil.

Os dados fazem parte do estudo “Lavagem de dinheiro e enfrentamento ao crime organizado no Brasil: reflexões sobre o Coaf em perspectiva comparada”, divulgado nesta quarta-feira (25/06) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Esfera.

O relatório aponta a urgência de fortalecer o Coaf e ampliar sua articulação com os órgãos de segurança pública.

Segundo o levantamento, o Brasil enfrenta desafios cada vez mais complexos diante do crescimento do poder econômico de facções criminosas, como o PCC, que vêm utilizando métodos cada vez mais sofisticados de lavagem de dinheiro.

Como funciona a atuação do Coaf

O Coaf é responsável por receber informações enviadas por setores obrigados por lei a reportar movimentações suspeitas. Essas comunicações são divididas em dois tipos:

  • Operações suspeitas: enviadas quando uma instituição identifica indícios de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo, nas transações de seus clientes.

  • Operações em espécie: comunicadas quando um cliente realiza movimentações com dinheiro vivo acima de determinado valor, definido por normas específicas. Esse tipo de operação exige atenção redobrada, pois pode indicar tentativas de ocultação de recursos ilícitos.

O aumento desses dois tipos de registros é expressivo. As comunicações de operações em espécie cresceram 353,6%, chegando a quase 5 milhões em 2024.

Já os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) – documentos que consolidam dados analisados e servem de base para investigações – saltaram de 4,3 mil para mais de 18,7 mil no mesmo período.

Fintechs, apostas e criptoativos

O estudo também aponta como novas tecnologias e brechas regulatórias estão sendo exploradas por grupos criminosos.

Três frentes têm sido usadas pelas organizações criminosas para ocultar recursos ilícitos: fintechs, plataformas de apostas online e criptoativos.

A regulação tardia das fintechs, iniciada apenas em 2021, e o longo prazo de oito anos para regularização total do setor deixaram brechas que ainda são exploradas por grupos ligados ao crime organizado.

Além disso, as plataformas de apostas e os criptoativos têm se consolidado como meios eficientes para movimentação e ocultação de dinheiro, aproveitando-se da baixa capacidade de fiscalização e da ausência de regulamentação robusta.

Ações urgentes

O relatório defende que o fortalecimento da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), que abriga o Coaf, deve ser prioridade do Estado brasileiro.

O objetivo é garantir estrutura técnica e recursos humanos compatíveis com a dimensão do problema.

O estudo também recomenda ampliar a integração entre o Coaf, a Polícia Federal, o Ministério Público e demais instituições de controle. Com isso, o país poderá enfrentar com mais eficácia o uso do sistema financeiro por facções criminosas.

Confira na íntegra o estudo:

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