quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Receita Federal vai rastrear contratos de aluguel a partir de 2026 com novo sistema integrado

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(Foto: Divulgação)

A Receita Federal anunciou um novo sistema de fiscalização para o mercado de locação de imóveis, com operação plena prevista para 2026. O objetivo é identificar contratos de aluguel não declarados e combater a sonegação fiscal, estimada em mais de R$ 7 bilhões por ano.

Como vai funcionar o sistema

A medida se baseia na Lei nº 7.713/1988 e no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 9.580/2018), que determinam a tributação sobre rendimentos de aluguel. A inovação está na integração do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) ao Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter).

  • O CIB funcionará como um “Renavan dos imóveis”, reunindo matrícula, titularidade e localização georreferenciada de cada bem.
  • O Sinter centralizará essas informações e permitirá à Receita cruzar, em tempo real, dados de cartórios, bancos, prefeituras, administradoras de imóveis e plataformas digitais com as declarações de contribuintes.

O fim dos contratos informais

Com a nova tecnologia, os chamados “contratos de gaveta” perdem espaço. Se o inquilino declarar residência em um imóvel sem que o proprietário informe o aluguel recebido, o sistema apontará a inconsistência automaticamente. Caberá ao dono comprovar se a ocupação não gera renda, como ocorre em contratos de comodato (empréstimo gratuito).

Impactos práticos

A Receita terá condições de:

  • rastrear a propriedade e a ocupação de cada imóvel;
  • automatizar a detecção de inconsistências;
  • aumentar a transparência do mercado e a segurança jurídica das transações;
  • reduzir fraudes e eliminar a “zona cinzenta” dos contratos informais.

Penalidades

Quem omitir rendimentos de aluguel poderá enfrentar:

  • multa de até 75% sobre o imposto devido, com juros e correção;
  • cobrança retroativa de até 5 anos, corrigida pela Selic;
  • multas adicionais de até 20% em situações específicas;
  • risco de processo criminal, conforme a Lei nº 8.137/1990, que trata da sonegação fiscal.

Orientações antes de 2026

Especialistas recomendam que proprietários e investidores se antecipem:

  • formalizando contratos de locação;
  • recolhendo mensalmente o imposto via Carnê-Leão para aluguéis de pessoas físicas;
  • revisando registros patrimoniais;
  • considerando alternativas como holdings para planejamento tributário e sucessório.

Com o Cadastro Imobiliário Brasileiro e o Sinter, a Receita Federal cria um banco de dados unificado e de alta precisão, tornando praticamente impossível esconder rendimentos de aluguel. O novo modelo deve aumentar a arrecadação e fortalecer a confiança no mercado formal de locações.

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