A conta de luz dos consumidores residenciais do Amazonas terá reajuste de 3,79% a partir de 26 de maio de 2026, após decisão unânime da Agência Nacional de Energia Elétrica. O índice ficou abaixo do IPCA do período, de 3,81%, e distante da alta de 23,21% inicialmente prevista no processo de revisão tarifária.
Segundo o D24AM, a redução foi viabilizada após atuação do senador Eduardo Braga (MDB-AM) junto à Aneel, com pedido de aplicação de mecanismos de modicidade tarifária. A agência considerou o uso de R$ 735 milhões em recursos do Uso de Bem Público, instrumento previsto por emenda incluída por Braga na Lei nº 15.235/2025.
O resultado tem impacto direto sobre famílias amazonenses em um momento de forte pressão sobre renda, alimentos, transporte e endividamento. Energia elétrica pesa mais para famílias de baixa renda, especialmente em um estado onde o calor exige uso constante de ventiladores, refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado.
Para consumidores industriais e grandes empresas, o reajuste será maior. O índice médio para o Grupo A ficou em 13,24%. Indústrias conectadas em tensão de 69 kV terão variação de 22,81%, enquanto unidades entre 2,3 kV e 25 kV terão reajuste de 10,98%.
A decisão mostra que a tarifa de energia no Amazonas continua sendo tema econômico e político. A redução para consumidores residenciais evita um choque imediato no orçamento das famílias, mas o peso para grandes consumidores pode alcançar indústria, comércio e serviços.
A crítica central é que segurar reajuste não resolve, sozinho, a vulnerabilidade energética do Estado. O Amazonas precisa de matriz mais eficiente, redução de perdas, infraestrutura moderna e regra tarifária que considere isolamento logístico e desigualdade regional. Sem isso, cada revisão da Aneel continuará sendo uma disputa emergencial para impedir que a conta chegue impagável ao consumidor.