quarta-feira, 23 de setembro de 2026
IMÓVEIS

Rapidão-rodoanel valoriza setor imobiliário, mas invasões preocupam

Rapidão-Rodoanel deve melhorar mobilidade em toda a capital, criando nova rota para tráfego na cidade.
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Quem trafega pela avenida do Turismo, no bairro Tarumã, na zona centro-oeste de Manaus, vê o número cada vez maior de terrenos e casas com placas de vendas. É que o avanço das obras do complexo Rapidão-Rodoanel Metropolitano de Manaus valorizou os preços na área fazendo brilhar os olhos dos proprietários.

Para o mercado imobiliário, o novo complexo viário vai melhorar a mobilidade na região, que já é alvo de investimentos do setor há alguns anos, e vai abrir oportunidades para novos projetos.

Realizada pelo Governo do Estado, a obra do Rapidão-Rodoanel conta com investimentos da ordem de R$570,6 milhões e engloba 37 quilômetros de extensão. A intervenção se prolonga da Cidade de Deus, na zona norte, até meados da Ponta Negra, na zona oeste.

A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas (Ademi) considera o Tarumã um dos vetores de crescimento do setor na capital com dois tipos de empreendimentos. Os de padrões mais baixos estão localizados na região que vai da estrada do aeroporto até a avenida Torquato Tapajós. Já os de médio e alto padrão ficam entre a estrada do aeroporto até a Ponta Negra.

No último trimestre, 97 unidades habitacionais foram vendidas só no bairro, colocando-o como o sexto em comercialização imobiliária na cidade. O presidente da Ademi, Henrique Medina, lembra que apesar da expansão do Tarumã, o bairro carece de equipamentos comunitários.

“A questão de escolas, linhas de ônibus, postos de saúde, hospitais, tudo isso precisa ser olhado com carinho pelo poder público para atender às necessidades desse desenvolvimento imobiliário”, disse.

A área revitalizada e alargada pelo Governo do Amazonas tem atraído investimentos, como novos condomínios residenciais. Justamente por ser uma área de grande interesse de compradores, Henrique Medina alerta para um problema na região: a questão do crescimento desordenado.

No Tarumã, onde a duplicação da estrada registrou bastante avanço, já é possível perceber uma invasão se formando próximo à Cachoeira do Tarumã, também conhecida por Cachoeira Alta.

Invasão começa a tomar conta da área da Cachoeira Alta do Tarumã

“Ali já se vê uma invasão grande nas margens da estrada e muito próxima de empreendimentos que estão sendo construídos neste momento. É muito importante que o poder público fique de olho nisso, travando e retirando essas invasões dessas regiões, inclusive desapropriando essas áreas para que possam ser construídos novos bairros planejados”, disse.

Para o representante do setor imobiliário, deixar invadir e depois desenvolver a área com infraestrutura adequada sai muito mais caro que desapropriar e urbanizar.

“Um dos grande problemas da nossa cidade é que nós deixamos alguns terrenos serem invadidos e depois o poder público tem que ir lá e fazer a urbanização. Isso é muito mais caro. É melhor desapropriar essas áreas, desenvolver o bairro planejado e depois instalar as famílias dentro de uma concepção de bairro preparado para receber aquelas famílias que de fato necessitam de uma moradia.”

Segundo Helio Alexandre, é preciso que o mercado imobiliário “ocupem” a área, antes que as invasões se estabeleçam nos espaços ainda disponíveis

“Essa área sempre foi muita procurada pelo mercado imobiliário, antes da expansão e, agora, após a expansão, mais ainda. Não só pelo mercado imobiliário, mas pelo setor comercial. Tenho certeza que vão sair grandes centros comerciais, que vão constar farmácias, supermercados, petshops, porque tem uma vida habitacional muito grande em volta. Já existia e vai existir. A preocupação, na minha opinião, são as ocupações irregulares que nós já falamos nisso no passado”, disse.

E completou: “São avenidas muito grandes, muito bem estruturada, que vão ligar o norte ao sul, mas elas precisam ser ocupadas com muita rapidez, através do mercado imobiliário e também do comércio, para evitar ocupações irregulares. Existe uma indústria da ocupação e, no norte do Brasil, ela se torna mais forte. Acho que deveríamos nos preocupar com isso”, finalizou.

Governo se posiciona

O RealTime1 entrou em contato com o Governo do Amazonas para saber quais medidas estão sendo tomadas em relação à invasão instalada naquela área. Por meio da Secretaria de Estado de Administração e Gestão (Sead), é mantido um grupo envolvendo servidores de órgãos estaduais, municipais e federais para tentar coibir a ocupação irregular.

“O Grupo Integrado de Prevenção à Invasões em Áreas Públicas (Gipiap), coordenado pela Sead Amazonas e composto por vários órgãos estaduais e municipais, monitora a área, porém a Justiça Estadual suspendeu qualquer ação no local e o caso foi remetido à Justiça Federal.”

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