sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quanto custa andar de ônibus no Brasil? RealTime1 revela valores e fatores que influenciam nos preços

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(Foto: Prefeitura de Manaus)

Um levantamento realizado pelo RealTime1 analisou os preços das passagens de ônibus praticados nas 27 capitais brasileiras, destacando os valores com e sem subsídio público (conforme lista no final da reportagem).

A pesquisa foi conduzida por meio da verificação dos sites dos órgãos responsáveis pelo transporte coletivo em cada cidade, garantindo precisão e transparência na obtenção dos dados.

As capitais brasileiras em que os passageiros pagam mais caro na catraca são: Florianópolis, que lidera com R$ 6,90, seguida por Curitiba (R$ 6,00), Belo Horizonte, onde as passagens variam entre R$ 5,75 para linhas convencionais e R$ 2,75 para linhas curtas, além de Salvador (R$ 5,60) e Boa Vista (R$ 5,50).

Por outro lado, as menores tarifas são encontradas em Brasília, que adota valores diferenciados para viagens curtas (R$ 2,70) e regiões administrativas (R$ 3,80).

Outras capitais com preços reduzidos incluem Belo Horizonte (R$ 2,75 / linhas curtas), Maceió (R$ 3,35), Rio Branco (R$ 3,50) e São Luís, que também apresenta dois valores: R$ 4,20 para linhas integradas e R$ 3,70 para linhas não integradas.

Manaus está na 15ª posição, a tarifa praticada para os passageiros da capital é de R$ 4,50, subsidiada pelo Fundo Municipal de Mobilidade Urbana (FMMU), o que inclui repasses do governo estadual. No entanto, sem os incentivos, o valor real da passagem atingiria R$ 7,53.

Fatores que influenciam nos preços

Além da questão tarifária, a reportagem consultou especialista sobre os principais fatores que levam o aumento do preço da passagem.

Tomando Manaus como exemplo, a capital possui uma frota de 1.129 ônibus distribuídos em 231 linhas operadas por sete empresas. No mês de janeiro deste ano, segundo fontes do RealTime1, a frota percorreu 1.917.034 km, sendo 1.820.916 km úteis e 96.118,10 km mortos.

A quilometragem útil representa a distância percorrida pelos ônibus enquanto transportam passageiros, ou seja, durante as viagens que atendem à população.

Já a quilometragem morta corresponde aos deslocamentos sem passageiros, como o trajeto entre a garagem e o início da linha, retornos vazios e movimentações internas das empresas.

Quanto maior for a quilometragem morta, maior é o impacto nos custos operacionais e, consequentemente, na tarifa paga pelos usuários.

A distribuição da frota entre as empresas operadoras evidencia a estrutura do transporte na cidade. A empresa Líder possui a maior frota útil, com 337 veículos, seguida pela Integração e Via Verde, ambas com 293 ônibus.

Já a empresa Global tem a menor participação, com 97 veículos em circulação. Essas informações ajudam a compreender o tamanho da operação e os desafios enfrentados pelo sistema.

Outro fator analisado é o impacto da renovação da frota no custo operacional. Segundo a Resolução nº 280/2008 do CONTRAN, a vida útil dos ônibus urbanos deve ser de 10 anos.

No entanto, muitas cidades enfrentam dificuldades para renovar a frota dentro desse prazo, o que pode elevar os custos de manutenção. Especialistas alertam que as condições das vias impactam diretamente a durabilidade dos veículos.

Além do custo operacional, a redução no número de passageiros também afeta diretamente o sistema. Para a mestre em Geografia Urbana, Camila Souza Dantas Mota, essa relação é direta.

“A diminuição desse número afeta não só o valor da passagem, mas também a precisão e a qualidade desse serviço. O que se observa em todo o país é uma queda contínua no número de usuários, o que compromete a mobilidade urbana e impacta financeiramente os passageiros. Isso tem explicação: o crescimento expressivo do uso de veículos individuais, especialmente motocicletas, o que contribui para o aumento dos índices de violência e acidentes de trânsito”, explica.

Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) mostram que o transporte coletivo de Manaus perdeu cerca de 31% dos passageiros em cinco anos.

Em 2018, eram 16,5 milhões de usuários mensais, número que caiu para 11,2 milhões em 2023.

Para compreender melhor os custos e a estrutura do transporte público em Manaus, o RealTime1 solicitou informações à assessoria do IMMU e ingressou com um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI) para obter cópias dos contratos das empresas de transporte público firmados nos últimos 10 anos, detalhes sobre licitações e critérios de seleção, eventuais adendos ou rescisões contratuais e a planilha do estudo tarifário do transporte coletivo da cidade.

O prazo para resposta do órgão é 11 de março de 2025. Até a publicação desta reportagem, a assessoria não deu retorno.

Em Manaus, Justiça mantém suspensão do aumento da tarifa e marca audiência de conciliação

Em Manaus, o aumento da tarifa de ônibus segue suspenso desde o início de fevereiro. Nesta terça-feira (25), a Justiça manteve a decisão que impede a elevação da passagem de R$ 4,50 para R$ 5,00.

A juíza Etelvina Lobo Braga determinou que a Prefeitura e demais órgãos envolvidos apresentem, até 28 de fevereiro, documentos detalhando os custos do transporte público e os subsídios aplicados.

Para buscar um consenso, a magistrada marcou uma audiência de conciliação para 6 de março, atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual. Ela reforçou que o transporte público é um direito essencial e que qualquer reajuste pode impactar diretamente a população de baixa renda.

Confira abaixo a lista completa dos valores das tarifas de ônibus nas capitais brasileiras:

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