quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Protocolo da Prevent foi adotado em Manaus pela 'Capitã Cloroquina'

Operadora de saúde embalava num saquinho comprimidos de hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina e enviava aos clientes que não estavam doentes.
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A secretária de Trabalho e Gestão do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, adotou em Manaus, no auge da segunda onda de Covid-19, em janeiro, o tratamento precoce baseado em protocolo criado pela operadora de saúde Prevent Senior. A constatação é do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado, senador Omar Aziz (PSD), após oitiva de hoje (28), da advogada Bruna Morato, que explicou o protocolo denunciado pelos ex-médicos da Prevent, seus clientes no caso.

“Esse protocolo de tratamento precoce da Prevent foi trazido para Manaus com o TrateCov, aplicativo recomendado para os pacientes da minha cidade”, disse Omar, espantado com o fato da Prevent receitar indiscriminadamente os medicamentos sem eficácia comprovada no combate a doença, bem como ter simulado uma pesquisa para exibir uma eficácia que nunca foi comprovada. “Foi a capitã Cloroquina que trouxe este aplicativo e este tratamento ineficaz”, completou Omar Aziz.

De acordo com o relato dos médicos clientes de Bruna Morato, a Prevent preparava um kit covid, contendo hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, embalava em um saquinho com um receituário modelo e enviava a todos os clientes da operadora. “O objetivo era tratar antes do cliente ter que usar o hospital, pois não havia leitos de UTIs suficientes nos hospitais da rede”, explicou Bruna Morato.

Se adquirissem a doença, Bruna informou que a operadora passava a um segundo nível do protocolo, com a inclusão de flutamida, um inibidor do câncer; colchicina, que é para tratar artrite reumatóide; e ainda ozonioterapia via retal. Todos são tratamentos que não são autorizados pelo Ministério da Saúde.

“Foi exatamente isso que aconteceu em Manaus, inclusive com tendas montadas para distribuição de cloroquina no pátio de hospitais”, lembrou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede/AP).

Texto: Gerson Severo Dantas

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