Em recente artigo intitulado “Amazônia: desafios e propostas”, o ex-governador do Amazonas, Samuel Hanan, e o jurista Ives Gandra, trazem à tona alternativas econômicas para a região que abrange 45,47% do território brasileiro.
Para Hanan e Gandra, preservar a Amazônia é ético, econômico e ambientalmente necessário.
Segundo os autores, há alternativas econômicas para preservar a floresta, respeitar as terras indígenas e melhorar a vida dos ribeirinhos e caboclos sem afetar o orçamento público.
Uma alternativa é utilizar os 95,56 milhões de hectares das terras indígenas para explorar o mercado de créditos de carbono, mesmo que isso exija mudanças na Constituição, pois essas terras são bens da União.
As áreas indígenas da floresta amazônica têm capacidade de estocar de 430 a 500 toneladas de carbono por hectare, podendo gerar receita de cerca de US$ 616 bilhões em 30 anos, segundo especialistas.
A compra desses créditos de carbono pelos países do G10 seria uma contribuição obrigatória para preservar a Amazônia, com investimento abaixo de 0,02% do PIB dos dez países mais ricos.
Outra forma seria o financiamento por pessoas físicas, consumidores de produtos fabricados por grandes conglomerados industriais, incluindo os fixados na Zona Franca de Manaus (ZFM).
Uma possível iniciativa seria a cobrança de um centavo de dólar sobre o preço no varejo de cada lata de refrigerante ou cerveja vendida no mundo, podendo gerar bilhões de dólares a favor da Amazônia.
Frases sobre o apoio à Amazônia estampadas nas embalagens dos produtos poderiam dar impulso à campanha.
A preservação da floresta é rentável e responsável, mas requer formatação jurídica certa para que os recursos sejam usados exclusivamente na preservação da floresta e na geração de atividades econômicas não agressoras do meio ambiente.
O projeto deve ser planejado para durar décadas e criar atividades econômicas sustentáveis para preservar a floresta e garantir o bem-estar da população, inclusive dos indígenas.
Da Redação
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