quarta-feira, 23 de setembro de 2026

'Prefeito de painel': moradores cobram presença de David Almeida nas ruas em dias de chuva

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Na zona Leste, além de enfrentarem riscos de deslizamento de terra, chuva deixa trânsito lento por causa das ruas alagadas pela falta de infraestruura adequada (Foto: Reprodução)

A rotina de monitoramento do prefeito David Almeida (Avante) no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), acompanhado de telas e gráficos sobre índices pluviométricos, tem gerado críticas por parte da população. Para alguns, o prefeito se tornou um “gestor de painel”, mais focado em acompanhar dados à distância do que em liderar ações diretamente nas ruas.

A crítica ganhou força após alguns episódios de alagamentos severos em diferentes zonas da cidade neste segundo semestre, nos quais o prefeito transmitiu informações de dentro do CCC, enquanto equipes de emergência enfrentavam dificuldades operacionais em campo.

Nesta quarta-feira (25/11) não foi diferente. Marcando como localização o CCC, o perfil do prefeito David Almeida, no Instagram, ‘alertou’ a população quanto aos cuidados em relação à chuva forte que atingia a capital. Veja o print abaixo:

Prefeito prioriza monitoramento remoto do clima e operações, enquanto população defende presença física e gestão ativa em campo (Foto: Reprodução)

Analistas em gestão afirmam que situações de crise exigem presença efetiva do líder, tanto para coordenar equipes quanto para transmitir segurança à população. A percepção de que o prefeito atua mais como “comentarista do clima” do que como gestor operacional reforça o desgaste da administração.

Para moradores, principalmente os da zona Leste, onde ainda há muita deficiência nos serviços de infraestrutura, este tipo de atitude do prefeito o distancia da realidade concreta enfrentada pelos moradores de bairros mais periféricos, como Jorge Teixeira.

“Falta pulso firme e coragem no prefeito. De nada adianta ele ter um monte de aparato tecnológico, se ele não tem estratégia para executar ações que, de fato, minimize os problemas que as chuvas trazem. Basta quinze minutos de muita chuva para tudo ficar um caos, trânsito caótico, ruas alagadas, riscos de desabamentos. Ele tem que estar na luta com a gente, do nosso lado na trincheira, e não mandando recado do conforto de uma sala segura”, criticou Reniê Silva, técnico em eletrônica e morador do bairro Jorge Teixeira.

A crítica foi reforçada pelo motorista de ônibus Jaime Serudo. Ele também defende a ideia de que o prefeito de Manaus precisa conhecer a realidade da periferia.

“Ele [o prefeito] não faz o trajeto por ruas que alagam para chegar na casa dele, não fica parado no trânsito porque tem batedor, uma série de facilidades. Se um dia ele foi o ‘menino do Morro’, já esqueceu dos dias de luta, já esqueceu que a nossa realidade é bem diferente. Um trajeto que faço em uma hora, por exemplo, chega a triplicar em dias de chuva. Eu também mereço chegar em casa e descansar, ou não?”, questionou.

Radar metereológico acendeu alerta sobre falta de transparência na gestão David Almeida

Em março deste ano, uma controvérsia envolvendo a compra de um radar meteorológico pela Prefeitura de Manaus tomou as redes sociais antes de ser negada oficialmente pelo Executivo.

Apesar do esclarecimento, especialistas destacam que o episódio expõe fragilidades na comunicação institucional e na transparência ativa da gestão. A ausência de detalhes claros sobre investimentos em tecnologia e monitoramento climático abriu espaço para que boatos se espalhassem rapidamente.

Analistas apontam que crises como essa ocorrem quando o poder público não disponibiliza informações completas e acessíveis sobre planejamentos, contratos e estudos em andamento. Sem dados, rumores se transformam em “verdades” nas redes sociais.

Meteorologistas consultados explicam que radares desse porte custam entre R$ 20 e R$ 30 milhões, o que torna qualquer aquisição desse tipo um processo de grande impacto fiscal. A falta de informações detalhadas sobre o plano de monitoramento climático da prefeitura reforça questionamentos sobre prioridades e investimentos.

Embora negada, a polêmica deixou uma lição que ainda não foi aprendida pela atual gestão municipal: a administração precisa aprimorar sua transparência para reduzir ruídos e evitar que a narrativa pública seja moldada por boatos em vez de dados.

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