quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Voto impresso avança e deputados defendem discussão do tema

Comissão criada, nesta quinta-feira, já tem presidente e relator escolhidos. Plano de trabalho será apresentado na próxima segunda-feira (17).
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A comissão especial da Câmara Federal que vai analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reintroduz no sistema eleitoral brasileiro o voto impresso se reunirá, pela primeira vez, na próxima segunda-feira (17), para aprovar o plano de trabalho.

De acordo com o presidente do colegiado, o deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), quase todos os partidos já indicaram os membros e a expectativa dele é que um texto de consenso possa ser apresentado ao final dos trabalhos

“Esse é um tema que está acima de coloração política e por isso conta com o trabalho de deputados da direita e da esquerda”, disse Martins, um deputado da base governista que defende a adoção deste modelo de votação com fins de auditagem dos votos.

Pela proposta da deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada de primeira hora do presidente, o eleitor vota na urna eletrônica, que imprime um comprovante de voto que após conferido pelo eleitor é colocado em uma urna comum. O relator da comissão será o também bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR).

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O vice-presidente da Câmara Federal, deputado Marcelo Ramos (PL), disse que é contra a proposta por confiar no sistema de voto em urna eletrônica. “Não há nenhum indício sequer de problemas. Mas sou a favor que qualquer tema seja debatido, até os que sou contra, como esse”, afirmou Ramos.

O deputado Bosco Saraiva (Solidariedade) também confia no sistema eletrônico, mas ressaltou que já existe na Câmara Federal um desejo de reintroduzir o voto impresso. Ele conta que, pessoalmente, nunca viu ou registrou problemas de fraudes nas urnas eletrônicas, mas após as eleições municipais do ano passado muitos colegas deputados chegaram relatando problemas. “É um tema para ser discutido e vamos ver no que dá”, disse.

Para o sociólogo Marcos Lira de Castro, essa PEC é mais uma cortina de fumaça jogada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus aliados para encobrir outros problemas da administração, como a má condução do combate à pandemia. “Há mais de um ano o presidente disse nos EUA que a eleição, na qual ele saiu vencedor, foi fraudada e que ao voltar para o Brasil apresentaria as provas. Até hoje estamos esperando”, disse.

Para Castro, mesmo que a impressão seja para simples auditagem, esse tipo de voto “amarra” o eleitor desavisado que poderá ser manipulado por líderes da comunidade em que mora e vota.

Texto: Gerson Severo Dantas, com informações de assessoria

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