O vice-presidente da Câmara Federal, deputado Marcelo Ramos (PL), requereu da presidência as cópias dos mais de 120 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apresentados a Casa para fazer uma análise jurídica dos mesmos. A decisão veio um dia depois dele ser responsabilizado pelo presidente pela aprovação do Fundo Partidário na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A decisão de analisar os pedidos foi vista como um sinal de que Marcelo Ramos pode dar seguimento a um deles quando estiver substituindo Arthur Lira (PP/AL) na presidência da Câmara. “Não sou de ameaçar, quando vou fazer algo eu digo que vou fazer”, defendeu-se Marcelo Ramos em entrevista concedida a uma rede de rádio de Manaus.
Na mesma entrevista, ele afirmou que dar seguimento a um pedido de impeachment talvez seja uma decisão muito grande para um presidente em exercício, mas ele quer estar inteirado deles para saber se a primeira premissa para um caso assim, a caracterização de um crime de responsabilidade cometido pelo presidente, está documentada em algum dos pedidos apresentados até o momento. “Caracterizado o crime de responsabilidade, entra a parte política para ver se tem mobilização popular, se o presidente tem apoios nos meios empresariais, na sociedade civil”, analisou o parlamentar.
Sobre a acusação de que foi responsável pela aprovação do Fundo Partidário, que pulou de R$ 2,7 bilhões para R$ 5,2 bilhões, Marcelo Ramos explicou que a medida foi introduzida na LDO numa articulação feita na Comissão Mista do Orçamento (CMO) a partir da atuação dos líderes do governo no Congresso, Eduardo Gomes (PP/TO), e na Câmara, Ricardo Barros (PP/PR). “Se não bastasse isso, os filhos dele (deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro) votaram a favor desta medida. Então ele é o responsável diretor pela aprovação deste fundo”, concluiu Marcelo Ramos.
Texto: Gerson Severo Dantas
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