Entre críticas e elogios na internet, o vereador Raiff Matos (Democracia Cristã) comemorou a decisão do Conselho Municipal de Educação pela suspensão temporária de uma resolução que estabelece orientações de forma a garantir a inclusão da educação para as relações étnico-raciais, diversidade sexual e de gênero, bem como a diversidade religiosa na rede de ensino municipal de Manaus.
O parágrafo único da resolução dizia que “as orientações têm como objetivo prevenir e combater quaisquer formas de preconceito, discriminação, racismo, homofobia e intolerâncias correlatas”. Mas o parlamentar tinha outra percepção, informando que a abordagem violaria os direitos e interesse das famílias.
Mas a repercussão foi mais negativa do que positiva para o parlamentar. Nas redes sociais, vários comentários negativos criticaram a decisão.
“Uma grande ignorância disfarçada de “moral”, um desserviço, um atraso e descaso na construção de uma sociedade mais humanizada e justa”, apontou um internauta. “Um desserviço tendo em vista o índice de Violência contra criança, adolescentes e mulheres altíssimo na nossa cidade e Amazonas como um todo”, ressaltou outro.
“Parabéns por proteger nossas crianças”, elogiou uma internauta. “Parabéns vereador. Desserviço é não lutar pela bandeira que te elegeu”, disse outra, se referindo ao fato de Raiff ter sido elegido pela bandeira “da família tradicional e cristã”.
Uma das principais criticas do parlamentar à resolução é de que os profissionais precisam estar preparados para debater sobre o tema nas escolas para evitar que o assunto gere resultado diferente do esperado. “A comunidade não pode ficar de fora no debate sobre a inclusão ou não desse tema. Os pais precisam ter direito de opinar sobre a formação de seus filhos. De que forma isso será passado?”, afirmou e questionou.
Raiff e colegas vereadores João Carlos (Republicanos), Thayssa Lippy (PP) e Márcio Tavares (Republicanos), ambos evangélicos, estavam tentando derrubar a resolução e agora conseguiram, desde fevereiro. A suspensão foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) do dia 16 de março.
Conselho de Educação
De acordo com a nova resolução do CME, foi dado um prazo de 90 dias para um amplo debate sobre o tema, envolvendo os órgãos do sistema Municipal de Ensino, órgãos de controle externo, Poder Legislativo e segmentos afetos à matéria.
O Conselho vai constituir uma comissão transitória para organizar estudos e realizar audiência pública, podendo ser por meio de ferramentas de Tecnologia de Informação e de Comunicação.
Texto: Milena Soares
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