Sempre unidos contra o governo de Wilson Lima (PSC), os deputados Wilker Barreto e Dermilson Chagas, ambos do Podemos, e o Delegado Péricles (PSL) protagonizaram um embate na sessão desta terça-feira (6), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), após divergências sobre o texto de autoria do trio que planejava dar início à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.
A confusão começou quando Péricles submeteu a proposta de uma CPI concorrente à indicada inicialmente por ele, Dermilson e Wilker. A nova proposta focaria na apuração apenas do colapso de oxigênio que ocorreu em janeiro nos hospitais do Amazonas. Na primeira proposta, apresentada pela bancada do Podemos, eram apresentados sete pontos para investigação, inclusive questões relacionadas a pagamento de contratos do Sistema Penitenciário, o que na visão de Péricles, presidente de Comissão de Constituição e Justiça, poderia render problemas futuros.
“Eu acho interessante que o co-autor enxergou isso só agora, quatro meses depois de ter assinado a CPI”, ironizou Wilker Barreto, criticando ainda o posicionamento contrário dos colegas da Casa para a instauração da CPI da Pandemia, subscrita pelos três oposicionistas.
Sobre a nova investigação proposta por Péricles, a ‘CPI da Asfixia’, Wilker chegou a classificá-la como “farsa”, destacando que não assinaria a abertura de tal inquérito.
“Eu não participarei dessa farsa que estão querendo formar na Assembleia. Hoje, não terá a minha assinatura!”, declarou Wilker. “Uma CPI que entra agora, às 10h da manhã, para investigar apenas um dos itens do colapso que passou o Amazonas, que foi a crise do oxigênio?”, questionou o deputado em tom conspiratório.
Complementando a teoria levantada pelo colega de sigla, Dermilson Chagas supôs que a indicação do novo foco da CPI por Péricles tivesse relação com a exoneração do titular da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Samir Freire.
“Se o Samir foi exonerado eu sei o porquê de terem apresentado essa CPI”, insinuou o parlamentar, acusando Péricles de também tentar se autopromover com o novo texto.
“Deputado Péricles, o senhor que se comporta como base do governo, peça para a base assinar a CPI. Estamos vendo uma manobra para não sair a CPI, por vaidade, por ego. Uma pessoa que não consegue defender nem o seu presidente da República, que toda hora é achincalhado aqui”, completou Chagas.
Em meio a um bate-boca, Péricles pediu calma a Dermilson, que o acusou de estar agindo em favor do governo.
“Dermilson, se acalme. Você está muito nervoso. Você tem que dar (explicações) ao [senador] Eduardo Braga. Eu não tenho governador Wilson [Lima], não tenho Eduardo Braga, nem [senador] Omar [Aziz], nem ninguém. Essa é a nossa diferença. O senhor tem grupo político, eu sou realmente independente”, rebateu Péricles.
Ao fim da sessão, Wilker Barreto enviou à Casa um requerimento para que seja ampliada o objeto de investigação da CPI proposta por Péricles. Pedido esse que também foi assinado por Dermilson
Texto: Giovanna Marinho
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