quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Apenas 53 candidatos tiveram mais de 40 mil votos em quatro eleições

Com a reforma eleitoral aprovada em setembro, partidos buscam soluções para conquistar votos necessários para eleger deputados federais e boas bancadas na Câmara.
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Janela altera quadro na Câmara dos deputados foto reprodução

Nas últimas quatro eleições somente 53 entre quase 1 mil candidatos a deputado federal pelo Amazonas superaram a marca de 40 mil votos.

O deputado eleito com menor votação foi Bosco Saraiva (Solidariedade) que em 2018 obteve 55 mil votos.

Com as novas regras eleitorais, aprovadas em setembro passado, alcançar este número de votos será determinante para os partidos elegerem um parlamentar, formar bancadas expressivas e assim ter acesso aos fundos Partidário (pago todo anos) e Eleitoral (pago em anos eleitorais).

“O principal objetivo dos partidos em 2022 é eleger deputados federais e garantir o dinheiro dos fundos e o tempo na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, o que ficou muito mais difícil com as novas regras”, analisou a advogada Maria Benigno, especialista em Direito Eleitoral.

Dentre as novas regras está o fim das coligações, a limitação ao número de candidatos em uma chapa e o estabelecimento de um piso de 80% de votos do quociente eleitoral para ter acesso as sobras de votos vai dificultar a vida de candidatos a deputado federal.

Sem coligação, os partidos podem disputar a eleição sozinhos e com uma chapa própria tentar alcançar o quociente eleitoral, que deverá ser de 220 mil votos, para garantir o primeiro candidato eleito.

Na história das eleições, somente um candidato conseguiu se eleger com seus votos, sem o auxílio da legenda (votos dados em todos os candidatos de uma chapa ou coligação). O caso ocorreu em 2014, quando o ex-deputado federal Arthur Bisneto (PSDB) obteve quase 251mil votos.

Se não quiser disputar a eleição sozinho, o partido pode integrar uma federação, nova forma de união de partidos criada pela reforma de setembro, porém este agrupamento trará dificuldades e um problema real. A dificuldade é que este “casamento” tem de ser nacional (em todos os Estados) e ao longo de quatro anos, sendo que dois anos depois há uma eleição municipal quando o casamento já pode estar na fase de divórcio.

Já o problema vem de outra novidade, o limite de candidatos por chapa, que é correspondente ao número de vagas na Câmara Federal e mais um. Como o Amazonas possui oito vagas de deputado, a chapa pode ter no máximo nove candidatos, o que numa federação “espreme” os interessados em disputar uma vaga. Antes dessa regra, os partidos podiam lançar chapas com até 200% acima do número de vagas disponíveis. No caso do Amazonas, eram permitidos chapas com 24 candidatos.

A eleição da matemática

Neste cenário, os partidos/federações fazem nacionalmente contas e buscam colocar entre os nove candidatos nomes competitivos para eleger bancadas grandes. Tome-se como exemplo o PSD, do senador Omar Aziz e dos deputados Sidney Leite e Marcelo Ramos.

Somente com Sidney, o partido que não vai integrar uma federação teria que alcançar sozinho os 220 mil votos, ou pelo menos 80% disso e esperar que as sobras sejam suficientes para empurrar o primeiro candidato eleito. Com Marcelo Ramos, o potencial cresce e as chances de ambos se elegerem sobe. No cálculo do PSD, cada um terá mais de 100 mil votos e os sete outros candidatos têm a missão de buscar o restante necessário para garantir a volta de Sidney e Marcelo à Brasília.

Já o Avante, do prefeito David Almeida, optou por formar uma chapa com todos os nove candidatos competitivos, daí o convite para Saulo Viana, que estuda deixar o PTB, e a filiação de Marco Antônio Chico Preto e a do ex-deputado Gedeão Amorim.

Histórico

Na eleição de 2018 para a Câmara Federal, 13 candidatos obtiveram mais de 40 mil votos. O campeão de votos foi o deputado José Ricardo Wendling, com 197 mil votos. O último eleito foi Bosco, com os 55 mil votos. Por conta das coligações, Conceição Sampaio e Pauderney Avelino, que obtiveram mais de 70 mil votos cada, não se elegeram.

No grupo dos 13 que tiveram mais de 40 mil votos, o último a alcançar essa marca foi o vereador Marcel Alexandre, que obteve pouco mais de 42 mil votos.

Quatro anos antes, em 2014, 15 superaram a marca de 40 mil votos. O mais votado foi Arthur Bisneto, que obteve mais de 250 mil votos. O último a conquistar uma vaga foi Conceição Sampaio, eleita com 71,8 mil votos. O ex-senador João Pedro, com 46,9 mil votos, foi o último a entrar no grupo dos que obtiveram mais de 40 mil votos.

Na eleição de 2010, 14 formaram o grupo que superou a barreira dos 40 mil votos. O líder da eleição foi o petista Francisco Praciano, que recebeu 166,3 mil votos. Henrique Oliveira fechou o quadro dos eleitos ao obter 85,5 mil votos. Humberto Michiles, com 48,2 mil votos foi o último do grupo

Por fim, na eleição de 2006, 11 superaram a barreira dos 40 mil votos. O campeão foi Carlos Souza, que teve 147 mil votos. Com 81,2 mil votos, Rebecca Garcia fechou a fila dos eleitos naquela eleição. Luiz Fernando Nicolau, com 63,8 mil votos, fechou o quadro dos candidatos que tiveram mais de 40 mil votos.

Texto: Gerson Severo Dantas

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