quarta-feira, 23 de setembro de 2026

PT busca evangélicos, mas estratégia esbarra na pauta progressista

Partido dos Trabalhadores anunciou, nesta segunda-feira, que criará núcleos evangélicos nos Diretórios Estaduais para recuperar prestígio entre eleitores mais conservadores.
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O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou, nesta segunda-feira (7), que vai criar – nos Diretórios Estaduais – núcleos evangélicos visando recuperar o eleitorado considerado mais conservador e que mais cresce a cada eleição. O trabalho será coordenado pela deputada federal Benedita da Silva (PT/RJ), que é da igreja Assembleia de Deus, mas no Amazonas ainda não há uma definição sobre quem tocará essa reaproximação.

O presidente do Diretório Estadual do PT, deputado Sinésio Campos, disse ao RealTime1 que buscar esse eleitorado é importante para o projeto de eleger o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em outubro, e lembra que durante os mandatos do petista (2003-2010), o partido tinha o apoio dos evangélicos.

No Amazonas, lideranças das duas principais denominações evangélicas avaliam que o ex-presidente fez bons governos, respeitou as pautas conservadoras, mas pontuam que o tempo passou para Lula e que, hoje, é o presidente Jair Bolsonaro (PL) quem tem mais apelo neste eleitorado.

Nesta segunda-feira (7), por exemplo, o vereador João Carlos (Republicanos), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, fez uma série de pronunciamentos contra China, Rússia e associou os líderes deste países à esquerda, espectro ideológico onde está o PT. O próprio Bispo Edir Macedo joga contra o ex-aliado Lula e deixou que um pastor afirmasse que o “verdadeiro evangélico não pode votar na esquerda”.

Outros líderes evangélicos que estão fechados com Bolsonaro no Amazonas são os irmãos Câmara, da Assembleia de Deus. Samuel, que preside a chamada igreja-mãe da Assembleia, no Pará; Jonatas Câmara, presidente da igreja no Amazonas; e o deputado federal Silas Câmara (Republicanos), já receberam o presidente no principal palco deles em Manaus, o auditório Canaã e devem manter o apoio a Bolsonaro.

As restrições dos líderes evangélicos ao PT vem do governo da presidente Dilma Rousseff, que apoiou as chamadas pautas identitárias ligadas aos movimentos feministas, LGBTQIA+ e de igrejas de matrizes africanas.

“Os evangélicos são tão conservadores que chegam a ser reacionários. Querem voltar a um estágio que a sociedade já deixou para trás há muito tempo. Buscá-los agora é mais um erro do PT”, defende o cientista social Moacir Santos.

Texto: Gerson Severo Dantas

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