quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Provocação de Bolsonaro, desfile militar em Brasília recebe críticas duras

Ministério da Defesa mobilizou aparato das três Forças Armadas para entregar um convite ao presidente. Ex-ministro Santos Cruz diz que desfile foi um ato de infantilidade.
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No mesmo dia em que a Câmara deve votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso, as Forças Armadas realizaram um desfile ostentando tanques de guerra na Esplanada dos Ministérios. O ato ocorreu na manhã desta terça (10) e passou em frente ao Palácio do Planalto, onde um oficial, vestido com roupa de combatente, subiu a rampa e entregou ao presidente Jair Bolsonaro um convite, que poderia ser enviado por e-mail, para um exercício militar.

Bolsonaro tem, reiteradas vezes, acusado o Tribunal Superior Eleitoral de ser conivente com fraudes, apesar de não apresentar provas. Ele também já afirmou, em mais de uma ocasião que as eleições de 2022 estão sob ameaça de não ocorrerem caso o voto impresso não seja implantado no Brasil.

No ato desta terça, o presidente estava acompanhado por um grupo de ministro que inclui militares. Entre os que participaram ao lado de Bolsonaro estavam o ministro da Defesa, general Walter Braga Neto, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno, o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Também participou do evento no Palácio o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que irá depor a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid na quinta-feira sobre possíveis irregularidades na compra da vacina Covaxin pelo governo.

Apesar de ser oficial militar, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), não estava presente no ato. Mais de 15 carros oficiais das Forças Armadas passaram pela esplanada.

A manifestação gerou desconforto e críticas de líderes políticos no Congresso Nacional e oficiais da reserva do Exército. O ex-ministro da Secretaria-Geral do Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, considerou o ato um desrespeito ao Congresso e aos brasileiros. “Tudo isso para levar um convite? É uma infantilidade , absolutamente desnecessária, ainda mais no contexto atual”, resumiu o general.

Na mesma linha diversos líderes de partidos, da centro-direita à esquerda, criticaram a realização de um desfile de tropas e tanques para entregar um convite a Bolsonaro. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que o ato era dispensável e foi pensado para causar temor nos congressistas que vão votar a PEC do Voto Impresso. “O Brasil tem outras prioridades”, disse.

Já o presidente do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, disse que o desfile militar é completamente sem sentido e não vai intimidar os líderes do Congresso.

Em nota conjunta, os presidente de PT, PSB, PSOL, Solidariedade, PCdoB, PDT, Rede e PSTU, todas siglas de oposição a Bolsonaro, criticaram o desfile militar e o classificaram de “tentativa de constrangimento ao Congresso Nacional.

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