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sábado, 23 de outubro de 2021

Polícia Federal faz operação que atinge liderança do Governo Bolsonaro

A falta dos medicamentos, contratados da empresa Global, acionista da Precisa Medicamentos, teria levado a óbito ao menos 14 pacientes no Brasil.

21 de setembro de 2021

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Francisco Maximiano é dono da Precisa Medicamentos e da Global, que vendeu, mas não entregou os medicamentos de alto custo comprados pelo ministério (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (21), uma operação para apurar fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo por força de decisão judicial pelo Ministério da Saúde. A estimativa é que as fraudes, com pagamento antecipado sem o recebimento dos medicamentos, tenham causado prejuízo que ultrapassa os R$ 20 milhões.

A Operação “Pés de Barro” investiga fatos ocorridos entre os anos de 2016 e 2018, que envolveram a aquisição dos medicamentos de alto custo Aldurazyme, Fabrazyme, Myozyme, Elaprase e Soliris/Eculizumabe pela Diretoria de Logística em Saúde do Ministério da Saúde, à época dirigido pelo atual líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, deputado Ricardo Barros (PP/PR).

Segundo a PF, foram encontrados indícios de inobservância da legislação administrativa, licitatória e sanitária, além do descumprimento de reiteradas decisões judiciais, com o aparente intento de favorecer determinadas empresas. O medicamento foi adquirido da Global Medicamentos, empresa que é sócia da Precisa Medicamentos, que tentou vender a vacina Covaxin para o Ministério da Saúde em um contrato de R$ 1,6 bilhão. As duas empresas têm como sócio o empresário Francisco Maximiano, que é ligado a Ricardo Barros.

A PF disse ainda que a má condução dos processos de aquisição desses medicamentos causou o desabastecimento por vários meses de seus estoques do Ministério da Saúde, com evidente prejuízo de centenas de pacientes beneficiários de ordens judiciais. A situação teria levado a óbito ao menos 14 pacientes.

Os policiais federais cumprem 15 mandados de busca e apreensão nos estados de Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e no Distrito Federal. Os envolvidos podem responder pelos crimes de fraude à licitação, estelionato, falsidade ideológica, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e corrupção ativa.

Texto: Gerson Severo Dantas, com informações da Agência Brasil

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