A Comissão Especial que analisa a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL/DF), para reintroduzir o voto impresso no sistema eleitoral brasileiro se reunirá, nesta quinta-feira (5), às 14h, para votar o relatório do deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), que é a favor da proposta.
Um dos integrantes da comissão, o deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade) afirmou ao RealTime1 que a tendência é de rejeição da PEC com, no mínimo, 12 votos de diferença. “Essa proposta vai introduzir a confusão no sistema eleitoral brasileiro.
Um grupo, por exemplo, pode se mobilizar para dizer que viu divergência entre o voto eletrônico e o impresso e ai pede para fazer uma recontagem das cédulas, o que pode demorar muito tempo e dar espaço para fraudes, como nós vimos acontecer diversas vezes no Amazonas”, avaliou Bosco Saraiva sobre a PEC.
Embora tenha jogado pesado para aprovar essa iniciativa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu hoje, em entrevista ao canal da TV Piauí, no Youtube, que a PEC será rejeitada na comissão e novamente afirmou que isso acontecerá por interferência do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso.
“Eu não quero adiantar, eu tenho certeza que no plenário temos mais do que (votos) suficientes, mas como está se encaminhando essa votação na comissão, a tendência é ser rejeitada na comissão por interferência do ministro Barroso”, disse Bolsonaro sobre a PEC.
Luís Roberto Barroso, nesta quarta-feira (4), criticou o que chamou de “pressão” sobre a democracia, durante palestra em seminário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Barroso tem se manifestado enfaticamente contra a PEC.
Sem citar Bolsonaro especificamente, Barroso afirmou que a “democracia está sob pressão” em vários países do mundo, mas que nela há espaço para todos: liberais, conservadores e progressistas. “Uma das vertentes do autoritarismo contemporâneo é o discurso de que ‘se eu perder, houve fraude’, que é a inaceitação do outro. A inaceitação de que alguém diferente de mim possa ganhar as eleições”, explicou.
Texto: Gerson Severo Dantas, com informações do portal Metrópoles
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