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sábado, 08 de maio de 2021

Os 15 dias que abalaram o início da administração David Almeida

Nomeações, pedido de prisão, classe artística descontente e asfaltamento de trecho de rua em frente a seu imóvel marcaram período de turbulência para o prefeito.

9 de abril de 2021

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David Almeida: primeiros 15 dias de sua administração foram conturbados, com polêmicas e denúncias (Foto: Divulgação)

A lua de mel do prefeito David Almeida (Avante) com a sociedade durou bem menos que os cem dias normalmente concedidos a um novo administrador para organizar o time e tomar as primeiras providências. Entre 18 de janeiro e 3 de fevereiro, o novo administrador da capital amazonense comeu sem manteiga o pão que o capeta amassou.

Tudo começou com a nomeação, no dia 18, de jovens médicos filhos de famílias ricas de Manaus para trabalharem como Gerentes de Projetos da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Acontece que no dia seguinte as recém-formadas Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Kirk Lins e David Louis Dallas foram vacinados contra a Covid-19 exatamente no primeiro dia da vacinação, que era destinada ao grupo prioritário dos profissionais de saúde que estavam na linha de frente do atendimento dos pacientes contaminados pelo novo Coronavírus.

As gêmeas publicaram fotos nas redes sociais sendo vacinadas e causaram um embaraço enorme para a nova administração. Para piorar, David Almeida proibiu que os vacinados fizessem foto do momento mais esperado por 211 milhões de brasileiros, o que pegou muito mal. Quase que imediatamente teve que voltar atrás.

O caso chamou atenção do Ministério Público do Amazonas, que não deixou barato e considerou que a contratação era uma forma de a gestão legalizar uma furada de fila para integrantes de famílias ricas de Manaus. As gêmeas são filhas do empresário Nilton Costa Lins Júnior, um dos donos da Universidade Nilson Lins. Já David Louis Dallas é filho do ex-deputado estadual Wanderley Dallas.

Pedido de prisão

Não adiantou a prefeitura justificar que eles trabalhavam na Unidade Básica de Saúde que funciona dentro da própria Universidade Nilton Lins e atende paciente com Covid. O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 25 pediu, para a surpresa de toda a população, a prisão de David Almeida e da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe, por “irregularidade na aplicação da vacina e favorecimento de pessoas que furaram a fila dos grupos prioritários”.

O MPE-AM também pedia o afastamento imediato de ambos dos cargos. O desembargador Hamilton Saraiva considerou que o Tribunal de Justiça do Amazonas não era a corte competente para julgar o caso, que deveria ser encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça

Na esteira deste escândalo, antes mesmo de janeiro acabar, a sociedade ficou sabendo que as gêmeas Lins e o filho de Wanderley Dallas não tinham sido os únicos que, na avaliação do MPE-AM, tinha furado a fila.

Estavam nessa condição a própria Shadia Fraxe, o secretário Municipal de Limpeza Pública, Sabá Reis, a Secretária da Mulher, Assistência Social e Cidadania, Jana Mara Oliveira, o sub-secretário de Saúde, Luiz Cláudio de Lima Cruz, o assessor da Semsa Clendson Rufino Ferreira, o advogado da Semsa, Stenio Holanda Alves.

Para os promotores do Gaeco, apesar de trabalharem na Semsa, eles não estavam na linha de frente do combate à Covid-19. Com tanta confusão, o caso subiu de patamar e a juíza federal Jaíza Maria Pinto Fraxe determinou a suspensão por dois dias da vacinação em Manaus e exigiu que a administração de David Almeida fizesse a lista nominal dos vacinados para auditagem.

Artistas irritados com a administração

Mas janeiro não havia acabado. Buscando acomodar aliados que não conseguiram a reeleição para a Câmara Municipal ele nomeou no dia 19, mesmo dia que o caso dos fura-filas ocupavam as manchetes do Brasil, os ex-vereadores Elias Emanuel, Carlos Portta, André Luiz e Reizo Castelo Branco para cargos na Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

A classe artística em peso chiou e a péssima repercussão do caso fez o prefeito engatar a segunda marcha a ré em uma semana, e sua administração tornou sem efeito as nomeações.

No mesmo diário oficial que trazia a nomeação dos ex-vereadores, outra trapalhada: a esposa do vice-governador, Carlos Alberto Almeida, Tarciana Marques Evangelista de Almeida aparecia nomeada para dois cargos distintos: diretora da Casa Civil e integrante do Conselho Municipal de Cultura. Novamente uma marcha a ré.

Tarciana, que ficou famosa no ano passado por se envolver numa briga de rua com uma advogada quando pedalavam à noite pela avenida Coronel Teixeira, ficou na Casa Civil, onde atua ainda mais discretamente que Carlos Almeida, desaparecido do cenário político local desde que deixou a Casa Civil estadual no início do ano passado.

Asfalto maroto

Quando recupera-se do turbilhão de problemas dos dez últimos dias de janeiro, David Almeida encarou outra bronca em 3 de fevereiro. Por ordem de alguém da secretaria Municipal de Obras – até hoje não se sabe quem – uma equipe do Distrito de Obras Sul asfaltou toda a frente da casa que o prefeito possui no bairro Moro da Liberdade, na rua José Chevallier, e onde ele mantém um escritório político. David pediu desculpas pelo fato e garantiu que não tinha pedido a realização do serviço, que não foi feito na rua toda, mas somente em frente ao imóvel dele.

Texto: Gerson Severo Dantas

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