Cada vez mais isolado e perdendo importantes aliados políticos, o MDB reconduziu Jesus Alves ao posto de presidente do diretório municipal da sigla neste sábado (14), na presença de, apenas, Eduardo Braga, principal nome do partido, e alguns filiados e pré-candidatos. Mesmo usando o evento para criticar a atual gestão estadual, Braga pode recuar da disputa pelo Governo do Amazonas.
A desistência de Braga na disputa pela cadeira de governador pode estar relacionada com a baixa adesão de apoio dos prefeitos do interior. Na convenção municipal, por exemplo, apenas um gestor municipal estava presente: Beto D’Angelo, de Manacapuru.
Além disso, o senador emedebista voltou a dialogar com o ex-governador Amazonino Mendes (Cidadania), de quem é ‘filho político’, e a dobradinha novamente é cogitada nos bastidores.
A informação de que os dois teriam retomado os diálogos políticos foi confirmada ao RealTime1 pelo secretário-geral do MDB e segundo suplente de Braga no Senado, Miguel Capobiango.
No entanto, conforme completou Capobiango, mesmo com Wilson Lima (União Brasil) como adversário em comum, Braga e Amazonino devem decidir se seguirão juntos na disputa até 20 de julho, quando inicia o prazo final para as convenções partidárias (o término é 5 de agosto).
“Eles são discípulos da escola de Gilberto Mestrinho e têm conversado muito com ele [Amazonino Mendes] para o resgate da forma de governar. Eduardo tem um legado como governador e Amazonino também tem a mesma dinâmica, com o contato mais próximo com o povo”, disse Capobiango.
Sem definição ainda sobre candidaturas, o MDB garante que possui nomes para compor chapa para as eleições deste ano. Algumas apostas giram em torno dos nomes de Nelson Azedo, Francisco Corado e o próprio presidente do diretório municipal, Jesus Alves.
Desidratação do MDB no AM pode respingar em Braga
Sem representatividade na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e na Assembleia Legislativo do Estado do Amazonas (Aleam), o MDB tem desidratado no Estado, tendo como nome forte, atualmente, apenas o do senador Eduardo Braga.
No entanto, o atual momento – como o exemplo da convenção esvaziada do último sábado, contrário ao que acontecia há alguns anos, quando estar ao lado de Braga era bastante disputado – reflete que a crise tem respingado no senador.
Inclusive, vale a pena lembrar que, em 2018, Braga quase perdeu a cadeira para Luiz Castro (Rede), que obteve 17,66% dos votos contra o emedebista, que teve 18,45%, uma diferença de apenas 25.733 votos.
Para mudar esta perspectiva, Braga aposta em sua atuação durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado e a defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) quem vem sofrendo frequentes ataques do governo Jair Bolsonaro (PL).
“Temos que mostrar quando o MDB esteve no governo e no Senado ajudando o Amazonas e o que propor ao Amazonas em um momento tão difícil em que a Zona Franca é atacada e mais uma vez dependemos do Supremo Tribunal Federal para vencermos este desafio”, disse Braga durante a convenção.
Texto: Aldizângela Brito
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