quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Milícia digital usa estrutura do 'gabinete do ódio' para ataques, diz PF

Delegada da PF envia relatório ao STF onde afirma haver ação de milícia digital dentro do 'gabinete do ódio' que age com participação do vereador Carlos Bolsonaro.
COMPARTILHE
Carlos Bolsonaro

Relatório parcial da delegada da Polícia Federal Denise Ribeiro acusa o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) de participar do ‘gabinete do ódio’, estrutura que agiria dentro do Palácio do Planalto abrigando ‘milícias digitais’ para disseminação de fake news e atacar reputação de adversários políticos do governo federal e instituições democráticas.

O relatório foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) onde o ‘gabinete do ódio’ é apontado como uma ameaça à Democracia. “Identifica-se a atuação de uma estrutura que opera especialmente por meio de um autodenominado ‘gabinete do ódio’: um grupo que produz conteúdos e/ou promove postagens em redes sociais atacando pessoas (alvos) — os ‘espantalhos’ escolhidos — previamente eleitas pelos integrantes da organização, difundindo-as por múltiplos canais de comunicação”, escreveu Denisse Ribeiro no documento.

A atuação do grupo foi identificada em quatro fases. Na primeira, chamada de eleição, são escolhidos os alvos. Na segunda, são definidas as tarefas dos membros e s canais em que as mensagens serão difundidas. A terceira é a fase dos ataques por meio das postagens com transmissão e retransmissão do discurso de ódio.

Ainda conforme o relatório, a estratégia do grupo tem sido explorar os limites entre crimes contra a honra e a liberdade de expressão, na tentativa de criar uma falsa ideia de que a Constituição permite a publicação de qualquer conteúdo sem que o autor seja responsabilizado.

“Sob essa ótica, tem sido rotineiro questionar os limites entre a prática dos chamados delitos de opinião (especialmente calúnia e difamação) e a amplitude da liberdade de expressão, gerando uma ideia de que a Constituição Federal criou uma zona franca para a produção e divulgação de qualquer conteúdo sem risco de responsabilização. Não é o que ocorre com qualquer Estado Democrático de Direito”, pontua a delegada da PF.

O inquérito que investiga as milícias digitais foi aberto pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Da Redação com agências de notícias

Leia Mais:

COMPARTILHE