O deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade) votará contra a aprovação do voto impresso. Ele é o único membro da bancada amazonense a integrar a Comissão Especial que avalia a PEC 135/2019 de autoria de deputada Bia Kics (PSL-DF). Bosco considera a medida um retrocesso para o sistema eleitoral brasileiro.
“Desde 1996, quando foi implantada a urna eletrônica, nunca se comprovou uma única fraude em nenhum município do Brasil. A gente [o partido] avança nesse sentido com segurança. Quando houve suspeitas de fraudes foram especulações e denuncias vazias que não se confirmaram”, declarou o deputado.
Para Saraiva, permanecer com o uso das urnas eletrônicas é a maneira de “preservar a democracia para os mais jovens”. Para isso, segundo ele, é necessário caminhar dentro da altíssima segurança tecnológica e não no retrocesso, pois, na avaliação do congressista, a impressão dos votos poderia deixar o sistema eleitoral, principalmente em regiões distantes e comandadas pelo tráfico, mais sujeito a fraudes e a “compra de votos”.
“O voto impresso faz retornar fortíssimo o voto de cabrestro, em razão do terror que vai acontecer em determinadas áreas dominadas pelo crime no Brasil. No Brasil, a gente não trata somente as áreas urbanas mais evoluídas. Por isso, há regiões de Manaus, todo mundo sabe, que têm a influencia do tráfico. Vemos também a influencia no Rio de Janeiro, cidade de São Paulo e demais cidades do Brasil inteiro. Além do que, os velhos e cansados bolsões que existem no Nordeste, no vale do Jequitinhonha e que existem no interior da Amazônia dominados por terceiros”, destaca o deputado.
Gasto não faz sentido
O processo de verificação do voto impresso deve causar problemas, na avaliação do congressista, uma vez que representantes do 32 partidos políticos ativos no Brasil precisaram estar presencialmente no local, já que não haverá coligações em 2022. Além disso, segundo ele, não faz sentido questionar o aumento do Fundo Eleitoral para o próximo pleito e defender o gasto de R$ 2 bilhões para colocar em prática um novo sistema eleitoral.
“A contagem ocorrerá no final da eleição, a partir das cinco horas da tarde, na sala de votação, com a presença de 32 fiscais, porque cada sessão eleitoral tem que ter o fiscal do partido, porque não tem mais coligação, imagina a confusão. Outra, não pode ter R$ 5,7 bilhões de fundo eleitoral, mas pode gastar R$ 2 bilhões com máquinas de impressão?”, questionou.
Outro ponto destacado pelo deputado amazonense é o tumulto que tal medida, caso aprovada, poderia gerar. Para realizar as eleições seria necessário o treinamento de fiscais, líderes partidários e ainda orientar a população sobre como proceder.
Boletim é comprovação de voto
Para o deputado, não se justifica a teoria de que não há como comprovar quantas pessoas votaram, uma vez que no sistema atual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já existe a impressão do Boletim de Urna (BU) e o que poderia ser viabilizado é o aumento da quantidade de urnas que são auditadas.
“ Eu, por já estar habituado a esse sistema, digo que é muito seguro, aliás, já emite a impressão do voto no final do pleito. Nós já temos um Boletim de Urna que sai no final com a lista de todos os votados naquela sessão. O tumulto que vai existir abrindo o voto de cada um não se justifica, porque o mesmo recurso pode existir no final com o BU”, disse.
“O TSE já audita uma determinada quantidade de urnas, aleatoriamente. Agora, o que se pretende é que o TSE aumente essa quantidade, o que deverá acontecer. Não confronto pessoas, mas ideias, e eu acho que a ideia do voto impresso é uma ideia ultrapassada”, completou.
Durante uma manobra dos líderes dos partidos na Câmara, Bosco Saraiva assumiu o posto de membro titular. O projeto segue na Comissão de Especial e as sessões devem ser retornadas após o recesso parlamentar. A proposta deverá ser votada no plenário tanto da Câmara, quanto do Senado até outubro para que possa ser colocada em prática nas próximas eleições.
Texto: Giovanna Marinho
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