O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL), disse ao RealTime1, nesta quarta-feira (24), que a entrada do presidente Jair Bolsonaro no Partido Liberal (PL), marcada para o próximo dia 30, não terá impacto imediato na vida política dele. “Na hora em que o Brasil precisa tanto de mim, que tem pessoas passando fome, sem emprego, sofrendo, eu não me dou o direito de pensar nessa questão. Eu tenho muito tempo para isso ainda”, afirmou o deputado.
Marcelo reconhece que a entrada de Bolsonaro é um incômodo para ele, principalmente porque o partido receberá o grupo “bolsonarista” do Amazonas, comandado pelo ex-superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, que o tem ofendido usando palavras como “imundicie”. “Ofensa na boca de certas pessoas (desqualificadas) se torna um elogio. É o caso”, ironizou o deputado.
O deputado Marcelo Ramos não confirma que vá sair do partido imediatamente, reafirma que não é tempo de pensar nisso no momento de votações e análises de tantas pautas importantes para tirar o Brasil do buraco, mas indica dois momentos para essa eventual saída: “Pode ser na janela de troca de partido, que acontece em abril, ou a qualquer momento desde que acordado com o Valdemar (da Costa Neto, presidente do PL)”.
De acordo com Marcelo Ramos, Valdemar da Costa Neto sempre o tratou muito bem e abriu espaços no partido para que ele pudesse chegar a postos importantes na Câmara. “Portanto, se for sair do PL , será pela porta da frente”, resumiu.
Menezes no ataque
Alfredo Menezes confirmou ao RealTime1 que irá para o mesmo partido de Bolsonaro e que até já comunicou sua decisão à presidência do Patriotas, o atual partido dele. “Sou um soldado do presidente e assim que ele confirmar a entrada no partido, eu também vou me filiar”, disse.
No PL, Menezes diz ter um excelente relacionamento com o presidente do Diretório Estadual, Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes nos governo petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Isso não atrapalha, o relacionamento com o Alfredo é excelente”, resumiu Menezes, que deseja ser candidato ao Senado Federal na eleição do próximo ano.
O ingresso de Bolsonaro no partido é apoiado por Alfredo Nascimento, que vê no ingresso do grupo dele no Amazonas a possibilidade de turbinar sua candidatura a uma das oito vagas do Amazonas na Câmara Federal. Procurado pelo RealTime1, Alfredo Nascimento segue fechado em copas e demonstrando a intenção de só falar quando o presidente assinar a ficha.
Texto: Gerson Severo Dantas
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