O ex-prefeito de Manaus Manoel Henriques Ribeiro morreu, na manhã desta terça-feira (18), no hospital Universitário Francisca Mendes, em consequência de um infarto. Filho de uma tradicional família de comerciantes portugueses, Ribeiro tinha 77 anos e seu último cargo público foi o de presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) na terceira gestão de Amazonino Mendes na prefeitura de Manaus (2013-2016).
Um dos líderes do comércio em Manaus e filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) na virada dos anos 70 para 80 do século passado, Manoel Ribeiro iniciou na vida público como vice-governador na chapa de Gilberto Mestrinho nas eleições de 1982, as primeiras permitidas pela Ditadura Militar iniciada em 1964.
No governo foi designado para diversas missões por Mestrinho, que já o tinha como preferido para disputar a sua sucessão dele em 1986. Ribeiro disputava a indicação com o prefeito indicado de Manaus em 1983, Amazonino Mendes, que foi ganhando a confiança de Mestrinho. Como consolo, Mestrinho e Amazonino trabalharam para elegê-lo prefeito de Manaus em 1985.
Assumiu a prefeitura em 1986 e rapidamente implantou uma política de reforma e construção de praças, o que lhe valeu o apelido de “Manoel Pracinha”. Outra polêmica da administração dele foi a construção de um edifício garagem na avenida Floriano Peixoto, no Centro, obra suspeita de ter sido superfaturada conforme acusação da oposição na época.
Manoel Ribeiro também apostou em novos modais para o transporte coletivo, criando o serviço de transporte alternativo cujos micro-ônibus foram batizados de “Maneco”. Já ônibus convencionais puxados por grandes caminhões e ônibus articulados foram chamados de “Manecão”.
Foi também o criador do Imposto Sobre Serviços, o ISS, a principal fonte de recursos da prefeitura de Manaus desde então.
Já no PTB, Manoel Ribeiro trabalhava na prefeitura, mas de olho na sucessão de Amazonino Mendes no governo do Estado, cargo para o qual foi eleito em 1986 com o apoio dele e de Mestrinho. A convivência entre o governador Amazonino e o prefeito Manoel Ribeiro, contudo, azedou desde o começo e chegou ao ápice quando em meados de 1988 o governador decretou uma intervenção na prefeitura de Manaus, tirou Ribeiro do cargo, e colocou no lugar o interventor Alfredo Nascimento (PL).
Ribeiro retornou ao cargo em dezembro daquele ano, mas só para passar o bastão ao prefeito eleito em novembro, que foi Arthur Virgílio Neto (PSDB). A partir de 1989 ele se afastou da vida pública e passou a morar no Rio de Janeiro, onde montou lojas que revendiam produtos das industrias da Zona Franca de Manaus.
Curiosamente Ribeiro só saiu deste auto-exílio em 2010, quando foi convidado pelo então prefeito Amazonino para assumir o Implurb. Ao fim desta gestão, Manoel Ribeiro se retirou definitivamente da vida pública.
Texto: Gerson Severo Dantas
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