Os lucros da farmacêutica Vitamedic saltaram de R$ 200 milhões em 2019 para estratosféricos R$ 500 milhões em 2020. O principal agente turbinador para este resultado foi a produção, venda e faturamento com a ivermectina, medicamento sem eficácia no tratamento da Covid-19 mas que foi amplamente divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e profissionais ligados à Associação Médicos Pela Vida.
“A Vitamedic bancou esse manifesto em favor do uso do kit covid até em fevereiro deste ano, quando eles já sabiam o que aconteceu em Manaus, quando morriam mais de 200 amazonenses por dia, inclusive o meu irmão”, reclamou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), referindo-se ao patrocínio de mais de R$ 700 mil que a empresa pagou para publicar o manifesto nos principais jornais brasileiros.
Sobre o patrocínio, o diretor-executivo da Vitamedic, Jailton Batista, lembrou que o documento não defendia apenas o uso da ivermectina, mas também de corticoides, produtos para melhorar a imunidade e anticoagulantes.
“O conteúdo do manifesto não foi a favor apenas da ivermectina e o conteúdo divulgado é de responsabilidade dos próprios médicos e não da nossa empresa”, defendeu-se Jailton, citando ainda que o mesmo medicamento é fabricado por outros três laboratórios: MS Legrand, Neo Química e Abbot.
O líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB/PE), acrescentou que a empresa não pode ser responsabilizada pelas prescrições feitas aos pacientes por milhares de médicos em todo o Brasil.
“A responsabilidade não pode recair sobre a empresa, isso é absurdo”, disse Fernando Bezerra. Para o senador Fabiano Contarato (Rede/ES), a CPI precisa tomar a decisão de bloquear as contas da Vitamedic para prevenir o pagamento de eventuais reparações após o relatório final da CPI.
Texto: Gerson Severo Dantas
Leia Mais: