O diretor-executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista, reconheceu, em depoimento prestado, nesta quarta-feira (11), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 que financiou a publicação de um manifesto da Associação Médicos pela Vida que pregava o uso da ivermectina em jornais. O remédio é produzido pela empresa e não tem eficácia no tratamento da Covid.
“Essa desculpa não cola. Não tenho nem adjetivo para classificar essa ação de patrocinar propaganda de um remédio e depois dizer que são os médicos que estão receitando”, analisou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD).
Para o senador Fabiano Contarato (Rede/ES), o reconhecimento deste patrocínio permite enquadrar o depoente no crime de estelionato por ter enganado a população e disseminado a impressão de que era seguro seguir sem os cuidados não farmacológicos, como uso de máscaras, uso de álcool em gel e distanciamento social.
“É um crime que resultou em mortes”, afirmou Contarato.
Omar Aziz lembrou a Jailton Batista que o criador da ivermectina, o laboratório Merck, divulgou um documento mostrando que o medicamento não tem eficácia comprovada contra a Covid.
“O amazonense precisava de oxigênio e levaram para lá ivermectina. Nós fomos usados como cobaia. Lá, a omissão de muitos não ficará impune. Não ficarão impunes quem levou ivermectina quando precisávamos de oxigênio”, disse Omar.
No manifesto pela vida, assinado pela Associação Médicos Pela Vida, é feito um apelo ao Conselho Federal de Medicina e autoridades da Saúde. O manifesto usava como argumento estudos científicos com resultados positivos que nunca foram feitos, como o próprio Jailton Batista reconheceu à CPI.
“Isso foi criminoso. O senhor não tem ideia do tamanho da responsabilidade que a Vitamedic tem nas mortes de brasileiros”, afirmou o relator, senador Renan Calheiros (MDB/AL).
Texto: Gerson Severo Dantas
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