quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Livro sobre operação da Lava Jato em SC é incômodo para Dallagnol e Moro

Livro do jornalista Paulo Markun detalha operação da Lava Jato em SC apoiada por Dallagnol e que resultou no suicídio do reitor da UFSC sem que houvesse prova de crimes.
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‘Recurso Final’, livro do jornalista Paulo Markun, lançado recentemente conta a história da operação ‘Ouvidos Moucos’ realizada pela Lava Jato em Santa Catarina no ano de 2017 para apurar desvios de recursos da Universidade Federal daquele Estado (UFSC). Cinco anos depois da operação e do suicídio do reitor acusado da suposta fraude, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, nada foi comprovado e ninguém foi condenado pela operação.

A história da Ouvidos Moucos, do livro, e a atuação na época do chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol e da delegada responsável pelo caso, Erika Mialik Marena é esmiuçada na reportagem do site The Intercept Brasil, com matéria de Rafael Moro Martins.

Com novos áudios da Vaza Jato (série de reportagens do site a partir de material vazado das conversas entre os procuradores da Lava Jato pelo Telegram), Dallagnol, hoje filiado ao Podemos e pré-candidato à Câmara Federal, reage sem traços de empatia em relação ao suicídio do reitor e chama os críticos da operação de “bando de imbecis”.

Sob suspeita de desviarem R$ 80 milhões, o reitor da UFSC, Luis Cancellier e outros professores foram presos, algemados, inclusive tendo os pés acorrentados em uma operação considerada ‘midiática’, comandada pela delegada Erika Marena. As prisões foram revogadas dias depois, mas os investigados foram proibidos de entrar na Universidade. Diante da exposição pública, Cancelier decidiu pelo suicídio.

Para o autor do livro “Recursos Final’, Paulo Markun, a decisão de Cancellier foi um ato político. “Com a atitude radical e absoluta do reitor, de perder a própria vida, ele demonstra que a indignação era tamanha, e o desespero, que não tinha outra saída”, diz o autor em entrevista para a Folha de S. Paulo.

A tese de Marena era de que a Petrobras tinha um outro esquema de envio de dinheiro para partidos de esquerda, por meio de verba originalmente destinada para faculdades. No caso da UFSC seriam para os cursos de Ensino à Distância (EAD). O recursos seriam então usados pelo PT para financiar ONGs e até o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Segundo o livro de Paulo Markun, em 817 páginas de relatório, a Polícia Federal não listou nenhuma prova dos crimes pelos quais o reitor da UFSC foi indiciado. Ninguém entre os acusados foi condenado e nenhum desvio foi confirmado.

Atualmente, Dallagnol e Sérgio Moro buscam entrar oficialmente na política. O ex-procurador como deputado federal e o ex-juíz como presidente do País. A delegada Erika Marena foi promovida, em 2019, a chefe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça pelo então ministro de Bolsonaro, Sérgio Moro. Hoje ela trabalha na PF do Paraná.  

Com informações do The Intercept Brasil

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