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quarta, 10 de agosto de 2022

José Melo anuncia candidatura e revela que pensou em suicídio

Ex-governador afirmou que é uma vítima do senador Eduardo Braga e que chegou a pensar em suicídio. Ele revelou ter escrito uma carta onde expunha políticos com quem conviveu.

8 de novembro de 2021

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José Melo foi eleito governador do Amazonas em 2014 (Foto: Reprodução)

O ex-governador do Amazonas (2014-2017), José Melo (Pros), concedeu na manhã desta segunda-feira (8) uma entrevista a Rádio Tiradentes, na qual revelou o plano de voltar a cena política do Estado e o drama vivido após ser preso pela Polícia Federal, em dezembro de 2017, durante a terceira fase da operação “Maus caminhos”, que apurou desvios de verbas e fraudes na Saúde do Amazonas. Melo teve a chapa cassada sob a acusação de compra de votos.

Melo afirmou que não tem ódio nem guarda mágoas. O ex-governador, de 75 anos, disse que está “com a vontade de um menino para voltar a vida pública”. Ele deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 2022, trazendo “uma nova matriz econômica para o estado” como sua principal proposta de campanha.

Melo iniciou a entrevista dizendo que esperava inspiração de Deus para que os ouvintes pudessem entender o porquê do seu silêncio.

O entrevistador, Ronaldo Tiradentes, citou a relação de Melo com o ex-governador Eduardo Braga. ”Foi por causa dele que o senhor perdeu o mandato, foi ele o autor do processo por compra de votos”, iniciou Tiradentes.

Após a provocação, Melo contou um pouco da trajetória até esse momento e disse que após ter sido secretário de educação de Amazonino Mendes e deputado federal (1995-2003) com um número expressivo de votos, começou a ser muito visado por grandes caciques.

”Foi tudo muito difícil do ponto de vista político. Me candidatei a deputado estadual, ganhei e quando estava lá [na Aleam] recebi um convite [em 2005] para almoçar com o Eduardo Braga, que me convidou para vir para o governo dele e ser uma espécie de primeiro-ministro, para fazer um trabalho administrativo em relação ao governo, mas também um trabalho político porque ele tinha intenção de se reeleger governador”, lembrou.

O ex-governador comentou que chegou a cobrar apoio de Braga para se lançar como candidato a governador, mas não teve a promessa cumprida.

”Quando chegou na hora, eu o procurei para que cumprisse o compromisso que tinha comigo, mas ele usou uma metáfora dizendo que política é como o tempo, uma hora faz chuva, outra hora faz sol”, contou.

Melo disse que não se importou com a declaração e foi disputar as eleições junto com Braga, que na ocasião teria o questionado: ”Tu achas que eu vou perder para um professorzinho do interior?”.

Cassação por compra de votos

José Melo afirmou que a empresária Nair Blair, considerada peça-chave na cassação da chapa, foi inocentada posteriormente pela Justiça. ”Eu fui cassado por compra de votos, mas a Nair Blair nunca comprou votos (para a chapa dele). Nós nunca compramos votos”, disse.

Operação Maus Caminhos, prisão em 2017 e suicídio

Melo afirmou que não conhecia os envolvidos na operação e chegou a se questionar o porquê de estar preso.

”Eu estava no sítio da família da minha esposa e fui preso sob a acusação de ter formado uma quadrilha com o médico Mohamed Mustafá. Passei 133 dias preso, 1140 dias com tornozeleira eletrônica. Não desejo aquilo para o meu pior inimigo. E todas as vezes que eu olhava para aquilo ali e me perguntava o que foi que eu fiz? Porque eu estou aqui e os culpados estão soltos?”.

O ex-governador afirmou que toda essa situação lhe fez pensar em tirar a própria vida.

”Eu escrevi 110 laudas, ali estava toda a história da minha vida. Hoje eu sei que Deus existe e o diabo também. Eu ia me matar, mas eu fui salvo por aquela criança (fazendo referência à filha de sua cunhada que ficou na casa dele após o nascimento)”.

Vítima de Eduardo Braga?

José Melo chegou a dizer que se Eduardo Braga fosse um vírus seria o da Covid-19 por ser uma pessoa que sempre busca atrapalhar os seus adversários de forma insistente, inclusive como alguém que supostamente atrapalhou investimentos federais no estado.

”Eu não consegui governar porque ele não deixava a presidente da República me ajudar. Eu me considero uma vítima do Eduardo Braga, alguém que eu confiei, que o povo do Amazonas confiou e eu espero que não confie mais”, finalizou.

Texto: João Luiz Onety

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