A troca de secretários de saúde do Estado e um possível conflito entre Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus explicam, na avaliação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, a explosão de casos de Covid-19 em Manaus nas duas ondas da doença.
Ao responder ao senador Eduardo Braga (MDB) se faltou recursos para governos estaduais e municipais, Mandetta usou o exemplo do caminho da pandemia em Manaus e Fortaleza, que começaram mais ou menos ao mesmo tempo, mas cujo combate se deu de maneira diferente.
“Naquela pandemia (primeira onda) é mais factível analisar os governos, que tinham o mesmo problema sobre as mesas, mas tomaram decisões diferentes com seus técnicos. É o caso de Manaus, onde houve a interrupção (administrativa), a chegada de uma secretária de fora (Simone Papaiz), que não conhecia a rede. Aquilo não aconteceu em outra unidade federativa”, avaliou Mandetta, acrescentando que também teve que mandar uma equipe do Ministério da Saúde para mediar conflitos entre o governo de Wilson Lima e a gestão de Arthur Neto na prefeitura de Manaus.
Para Mandetta, o caos no sistema de saúde em Manaus tem um fator extra, pois o mesmo sistema passou bem pela pandemia da H1N1, em 2009-2010, mas que na onda de 2020 falhou e que chegou ao colapso em 2021. “Em Manaus chegamos a colapso funerário em 20 e em 21 perdeu-se a noção de oxigênio. Lá há características próprias [que explicam o caos], mas não houve falta de dinheiro”, afirmou o ex-ministro.
Ao ouvir a resposta, Braga partiu para atacar as autoridades locais.
Texto: Gerson Severo Dantas
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