Vídeos e fotos exibidas pelo vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), evidenciaram que o grupo João Alves, dono do laboratório Vitamedic e das Faculdades UniAlfa, trabalhou para divulgar o tratamento precoce e faturar com a venda de ivermectina à Estados e municípios. O medicamento é um antiparasitário sem efeito comprovado contra a doença causada pelo coronavírus.
Randolfe exibiu o vídeo de uma live feita pelo dono do grupo, o empresário goiano João Alves, onde ele dizia ter tido encontros com prefeitos para expor as vantagens do medicamento produzido pelo seu laboratório, além de doar lotes de ivermectina para um médico que veio combater a doença no auge da segunda onda da pandemia em Manaus, no mês de janeiro.
Em outro vídeo, o reitor da UniAlfa aparece explicando e defendendo uma plataforma tecnológica semelhante a do aplicativo TrateCov, lançado em Manaus também durante o pico da segunda onda.
“Esses vídeos mostram o contrário do que o diretor-executivo nos informa aqui neste depoimento, portanto ele está mentindo”, disse Randolfe, se referindo ao diretor-executivo da Vitamedic, Jailton Batista, que está sendo ouvido nesta quarta-feira (11). “Não é para o senhor está aqui, quem deveria estar aqui é o senhor João Alves”, concluiu Randolfe.
O vice-presidente da CPI também evidenciou que, patrocinado pela Vitamedic, o Ministério da Saúde transformou a população de Manaus em cobaia deste tratamento precoce e do TrateCov. “O senhor não deveria estar aqui. Quem deveria estar aqui é o senhor João Alves, que sem ser médico, fez campanha para receitar e lucrar com as empresas do grupo dele”, reforçou Randolfe.
Para o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), as práticas mostradas por Randolfe são graves e pioram quando se descobre que os vídeos e o patrocínio de um manifesto do grupo Associação Médicos Pela Vida aconteceu depois das mortes ocorridas no mês de janeiro, em Manaus.
“É criminoso. Vou pedir à Defensoria do meu Estado, que incentivei e dei autonomia, para ajudar as famílias que perderam seus entes ou pessoas que ficaram sequeladas… Que elas possam entrar na Justiça contra esses criminosos”, disse Omar.
Texto: Gerson Severo Dantas
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