Passando férias no Líbano, o jornalista amazonense Anwar Assi – que mora em Manaus – concedeu entrevista à TV RealTime1 e falou sobre a região de conflitos no Afeganistão, onde atua o grupo extremista Talibã, que retomou ao poder após 20 anos da chegada das tropas americanas na região.
As etnias no Afeganistão: maioria é pachtuns, que deu origem ao Talibã
Anwar explica que o Afeganistão é formado por várias etnias, sendo que a maior delas é a etnia pachtuns, que é a da maioria dos combatentes do talibã. Ela representa 40% da população afegã. Além dos pachtuns, a população também é formada pelos tajiques, hazaras, uzbeques e outras etnias.
Afeganistão está situado em região importante
Segundo o jornalista, a região é importante por conta da sua posição geográfica, pois liga o ocidente ao oriente. “Essa é a grande importância hoje para o Afeganistão. Por isso, o país foi tão importante ao longo da história. A maioria da população é muçulmana na corrente sunita. Há uma minoria muçulmana xiita e também há poucos cristãos, hindus, poucos budistas”, explica Assi.
Sunitas e xiitas
Anwar, que é membro da comunidade árabe muçulmana no Amazonas, explica ainda sobre os termos sunitas e xiitas.
Durante a entrevista, o jornalista avalia que o Afeganistão, por estar há 40 anos em guerra, não tem como evitar o crescimento de grupos radicais. Porém, em outras regiões do continente, grupos radicais são contidos imediatamente.
Muçulmanos xiitas e a imagem de radicais
Essa imagem de que muçulmanos xiitas são radicais, foi criada a partir da revolução que houve no Irã em 1979. Como derrubou um governo pró-EUA, então a mídia ocidental – que de modo geral tem uma influência dos EUA – acabou jogando essa imagem de que o muçulmano xiita era um radical.
Grupos de orientação wahabismo
Hoje, a maioria dos grupos que cometem atentados em nome do Islã, infelizmente são grupos como a al qaeda e o estado islâmico. Esses grupos são todos de orientação wahabismo, uma ceita que surgiu a cerca de 200 anos – não existia no mundo Islâmico – foi repudiada inicialmente. Aí depois os ingleses, quando vieram dominar a região, resgataram essa ideologia que passou a ser a religião oficial da Arábia Saudita, que é quem comanda na prática quem passa essa ideologia para esses grupos.
‘Burca é roupa tradicional da região, e não religiosa’, explica o jornalista
Ele fala ainda sobre a burca, que é uma roupa tradicional na região.
“A burca existe antes mesmo do Islã, pois já era usada na região. Ela é usada mais por uma questão de costume, do que religiosa. Tanto é que o Talibã, quando assumiu agora, disse que o uso da burca não é obrigatório”, revela o jornalista.
A reconstrução da região afetada por explosão no porto do Líbano
O membro da comunidade árabe muçulmana no Amazonas fala, ainda, sobre a situação do Líbano após a explosão química no porto de Beirute, capital do país. Segundo ele, o incidente afetou principalmente a capital e os bairros ao redor do porto. Hoje, segundo Anwar, 90% dos prédios que foram afetados já foram reformados.
No entanto, segundo o jornalista, a área do porto ainda está destruída e precisando de investimento.
“Há muitos países interessados em participar dessa reconstrução. Assim como também há muitas pessoas que não esquecem esse dia. Foi justamente no dia 4 de agosto, no momento em que o Líbano passava por uma crise política e econômica forte. Essa explosão afetou ainda mais a economia”, destaca o amazonense.
Novo governo é anunciado após treze meses da explosão no porto de Beirute
Ainda conforme o jornalista, muitos libaneses decidiram viajar, sair do país. “Depois de treze meses de um impasse político, semana passada conseguiram formar um governo. A economia gira em torno do turismo, há muitas praias, tem o mar mediterrâneo e vários lugares religiosos. O Líbano vive de serviços, hotelaria, restaurantes, uma pequena indústria e o setor primário”, informa Anwar Assi.
Assista à entrevista na íntegra acessando o link abaixo:
Texto: Isac Sharlon
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