O depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, foi suspenso por volta de 17h30 (horário de Brasília) para que os senadores participassem da ordem do dia do Senado. A suspensão veio após o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), negar um pedido de prisão contra Wajngarten por ele ter mentido ao menos três vezes durante a inquirição dos senadores.
A suspensão foi precedida de um forte bate boca entre o relator Renan Calheiros (MDB-AL), que pediu a prisão de Wajngarter, e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O filho do presidente chamou Renan de vagabundo e recebeu de volta a acusação de ladrão de dinheiro dos funcionários de gabinete.
Antes da confusão, a pressão da CPI fez Fábio Wajngarten revelar que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) poderia ter agido antes para facilitar a compra das vacinas da Pfizer. A fala foi proferida durante os questionamentos do vice-presidente da Comissão, senador Randolphe Rodrigues (Rede-PE).
A argumentação senador baseou-se na carta enviada pela farmacêutica Pfizer, respondida dois meses após o envio ao governo brasileiro, que alertava sobre a necessária celeridade na aquisição de vacinas pelo Brasil, devido à grande concorrência internacional pelos imunizantes.
Em resposta, o ex-secretário revelou que teve acesso à carta no dia 9 de novembro, quando foi avisado pelo dono da Rede TV, Marcelo Carvalho. A partir de então, teria cobrado do presidente uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que fosse providenciada a contratação da Pfizer. Paulo Guedes teria dado apoio à ideia, mas Bolsonaro afirmou que compraria vacinas somente após a aprovação das Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).
Randolphe questionou o porquê do presidente não ter editado Medidas Provisórias para dar ao Brasil a segurança jurídica necessária para superar as “cláusulas leoninas” do contrato com a farmacêutica, mas Wajngarten não soube justificar.
O presidente da CPI lembrou que Bolsonaro jogou a culpa da não regulamentação da compra de vacinas para o Congresso Nacional, mas cabia a ele também a promulgação de medidas para assegurar normas de proteção jurídica ao Governo, que foi vetada pelo presidente.
Aziz relacionou então o fato de que outros membros do Governo também receberam a mesma carta da Pfizer, apresentada pelo ex-secretário, mas não o alertaram sobre a oferta, destacando que o Brasil demorou seis meses para firmar o acordo com a empresa estadunidense.
“Não culpo o presidente, mas os assessores deles poderiam ter alertado”, destacou Omar.
Além do presidente Jair Bolsonaro receberam a carta o ministro da Economia Paulo Guedes, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello, o vice-presidente Hamilton Mourão, o ministro-chefe da Casa Civil Walter Braga Netto e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.
Texto: Giovanna Marinho
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