Dois consumidores denunciaram casos envolvendo coação, agressão e prisão, durante audiência, nesta quinta-feira (11), da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Amazonas Energia, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.
Um dos casos envolve um casal de empresários, proprietários de uma padaria no bairro Parque Dez de Novembro. O homem alega que desmaiou após receber um golpe de mata-leão desferido por um funcionário da empresa de energia elétrica.
O segundo caso envolve a prisão de dois homens que religavam o fornecimento de energia de um imóvel com serviço interrompido pela concessionária.
Empresário diz que desmaiou com golpe de mata-leão desferido por funcionário da Amazonas Energia
O primeiro a depor na CPI foi o empresário Marcelo Medeiros. Ele é casado com a dona de uma panificadora que foi alvo de uma ação de fiscalização da Amazonas Energia.
Segundo Marcelo, funcionários da concessionária foram ao estabelecimento comercial para cumprir uma ordem de corte de energia elétrica devido a débitos em atraso. Porém, no local, de acordo com Marcelo, os funcionários da Amazonas Energia tentaram levar o medidor de energia.
Marcelo diz que ele e a esposa não autorizaram a retirada do medidor o que teria causado a revolta dos funcionários da Amazonas Energia. Os funcionários teriam então acionado o reforço de colegas.
Após a chegada dos funcionários, Marcelo diz que foi intimidado, ameaçado e agredido pelos representantes da empresa. O consumidor conta, ainda, que um dos funcionários chegou a desferir um golpe de mata-leão que provocou o desmaio dele. Marcelo diz ter toda a ação gravada em vídeo, porém apenas algumas partes da confusão foram exibidas na sessão desta quinta (11) da CPI.
Além dos técnicos responsáveis pelo corte do serviço, Marcelo diz que duas mulheres se apresentaram como advogadas. Mas, a defesa do empresário constatou que apenas uma tem registro no Cadastro Nacional de Advogados. A outra mulher seria uma funcionária do departamento administrativo da concessionária, conforme apurou a defesa de Marcelo após consulta a partir de dados no Boletim de Ocorrência.
A defesa de Marcelo alega que no momento da confusão, apenas a advogada portava um crachá de identificação no pescoço, que ao ser notado, teria sido escondido imediatamente. Os demais funcionários da concessionária não teriam apresentado identificação.
Marcelo revelou que a Amazonas Energia conta com o apoio de policiais para intimidar os clientes. Ele conta que, ao negar que o medidor de energia fosse levado pela empresa, imediatamente chegaram duas viaturas da 23ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), para dar apoio à ação dos funcionários.
Deputados querem explicações das polícias do Amazonas
O depoimento de Marcelo chamou a atenção dos deputados Dermilson Chagas, do relator da CPI, Carlinhos Bessa; e de Sinésio Campos, presidente da CPI.
Com base no depoimento, os deputados decidiram encaminhar um ofício ao Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas, cobrando respostas a respeito da atuação de policiais no caso.
Consumidor e eletricista são presos após tentativa de religar energia por conta própria
No segundo depoimento do dia, o consumidor Ezequiel Martins da Silva revelou que foi preso e levado à penitenciária após uma ação de funcionários da Amazonas Energia em um imóvel de sua propriedade.
O homem conta que trabalhava com reciclagem de produtos em um galpão, na rua dos Lírios, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. No local, Ezequiel diz que havia débitos de meses anteriores nas contas de energia elétrica. Por esse motivo, o imóvel foi alvo de uma ação de corte dos serviços. No dia seguinte, o consumidor diz que foi até à empresa e quitou os débitos.
Ao retornar ao local, Ezequiel diz que os técnicos da empresa o informaram que era preciso uma série de adaptações na estrutura do imóvel para que o serviço fosse religado. Ezequiel conta que resolveu então dispensar os funcionários da Amazonas Energia e contratar os serviços de um amigo, que trabalha como eletricista.
Enquanto o eletricista contratado religava a energia, funcionários da Amazonas Energia retornaram ao local, acompanhados da polícia que, então, prendeu Ezequiel e o amigo. Na delegacia, Ezequiel conta que não teve a oportunidade de ser ouvido e, mesmo apresentando o documento de quitação dos débitos com a concessionária, teve a prisão decretada por um delegado no 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
Ezequiel e o eletricista, que também foi ouvido na sessão desta quinta, passaram mais de 36 horas detidos no 14º DIP. Depois foram encaminhados para o presídio, na BR-174, onde ficaram detidos por três dias. A defesa diz que houve falhas no processo de prisão e que entrará com uma representação contra o delegado responsável pelo caso.
Departamento jurídico da Amazonas Energia será ouvido na próxima terça
Após os depoimentos desta quinta, os deputados estaduais membros da CPI voltam a se reunir na próxima terça-feira (16), às 14h.
Devem ser ouvidos nessa sessão, a advogada Sandra Maria Carvalho de Farias Nogueira, coordenadora do departamento jurídico da Amazonas Energia, e Radir Gomes de Oliveira, diretor técnico da concessionária no interior do Amazonas.
Amazonas energia
A assessoria de comunicação da empresa Amazonas Energia foi procurada pelo RealTime1, nesta quinta, para comentar sobre os depoimentos dos consumidores na CPI. No entanto, até à publicação desta matéria não houve respostas.
Assista ao vídeo com os depoimentos:
Texto: Isac Sharlon
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