Durante todo o depoimento dado à CPI da Covid no dia de hoje (13), no Senado Federal, o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, falou sobre alguns pontos que instigam os senadores quanto à relação da empresa com o governo brasileiro no enfrentamento à Covid-19, como as cláusulas do contrato, consideradas ‘leoninas’ pelo Governo Federal, o ritmo de entrega de lotes ao Ministério da Saúde e, também, sobre o esquema vacinal do imunizante.
Ao longo do depoimento, Murillo esclareceu que as cláusulas que não foram aceitas pelo ex-ministro da Sáude Eduardo Pazuello eram iguais às usadas nos contratos feitos com mais de 160 países do mundo e que eram necessárias devido a excepcionalidade da pandemia e aos riscos assumidos para a produção da vacina.
As cláusulas em questão exigiam a criação de um fundo soberano (conta bancária) aberto num banco estrangeiro para que a Pfizer retirasse os recursos à medida em que entregasse os lotes da vacina; a responsabilização civil do Governo Federal por eventuais efeitos colaterais causados pela vacina e, por fim, o estabelecimento de uma corte arbitral de conflitos na cidade de Nova York.
Sobre este assunto, os senadores governistas tentaram mostrar que a farmacêutica poderia não cumprir o contrato e até citaram que ela estava sendo processada em um tribunal da Itália. Já a oposição tentou mostrar, a partir das falas de Murillo, que desde maio de 2020 as negociações foram iniciadas, mas não avançaram por opção do Governo Bolsonaro, que era declaradamente contrário à compra de vacinas.
Ritmo de entregas
Carlos Murillo também informou sobre o ritmo de entregas de vacinas para o governo brasileiro após a assinatura de um contrato que prevê a entrega de 100 milhões de doses até o fim de setembro deste ano.
“Já entregamos três lotes: um de 1 milhão e dois de 600 mil doses. Até o fim de junho, completaremos 15 milhões de doses entregues. O restante [85 milhões] chegará até o fim do terceiro trimestre deste ano”, revelou o executivo.
Carlos Murillo também informou que nos próximos dias a Pfizer e o Governo Bolsonaro vão assinar um novo contrato para a aquisição de mais 100 milhões de doses. Revelou também que estas novas doses deverão chegar integralmente até o fim deste ano.
Esquema vacinal contraditório
Um ponto que ficou sem explicação foi a alteração no intervalo de aplicação das duas doses da vacina. A Pfizer recomenda, a partir dos estudos clínicos realizados em vários países, que a segunda dose seja aplicada 21 dias após a primeira, mas o Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), teria recomendado aos estados e prefeituras um intervalo de três meses entre uma e outra. Carlos Murillo disse que não tem como avaliar essa decisão, pois a Pfizer só fez testes clínicos com o intervalo previsto no contrato, ou seja: 21 dias.
Texto: Gerson Severo Dantas
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