quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Se contrato fosse assinado em 2020, Brasil teria 18 milhões de doses

No entanto, o contrato atual, firmado em março, vai permitir a entrega de 14 milhões de doses até o segundo trimestre, ou seja: 4 milhões a menos do que o oferecido em 2020.
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Em seu depoimento na CPI da Covid, nesta quinta-feira (13), o ex-presidente da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, afirmou que foram feitas três propostas ao governo federal, em 2020, para fornecimento de até 70 milhões de doses. Informou que cada proposta previa o início das entregas ainda em 2020. Além disso, revelou que, caso o governo tivesse assinado o primeiro contrato, até o segundo semestre de 2021, o Brasil iria receber 18,5 milhões de doses.

No entanto, o contrato atual, assinado em março de 2021, ano vai permitir a entrega de 14 milhões de doses até junho, ou seja: 4 milhões a menos do que seria caso o governo brasileiro tivesse aceitado a proposta feita em agosto de 2020.

“As primeiras reuniões sobre a vacina começaram em maio. […] O primeiro contrato oferecido ocorreu em 14 de agosto. Eram duas ofertas, uma de 30 milhões de doses e outra de 70 milhões de doses. Essa oferta tinha o cronograma de entrega do final de 2020 até o 4º semestre de 2021. No dia 18 de agosto voltamos a ofertar 30 e 70 milhões, mas conseguiríamos uma quantia adicional para o final de 2020. Já no dia 26 de agosto, oferecemos uma terceira oferta pela mesma quantidade e conseguiríamos também uma quantidade adicional para o primeiro trimestre de 2021”, informou Murillo.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou se houve dificuldade da empresa obter resposta do governo brasileiro sobre as ofertas que a Pfizer fez ao país, Murillo confirmou que não houve resposta. “Não poderia afirmar que se dificultou a conversa, não tiveram respostas nem negativas ou positivas no tempo estabelecido”, afirmou.

Ex-presidente contradiz Pazuello

O senador Renan Calheiros relembrou que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou ao Senado Federal que a empresa Pfizer ofereceu 6 milhões de doses e não 70 milhões e que o contrato continha exigências contratuais leoninas que impediam a assinatura do contrato. Murillo contrariou a informação.

“A oferta sempre foi de 70 milhões. […] Nós não concordamos com esse posicionamento (cláusulas leoninas). As condições que a Pfizer ofertou ao Brasil são as mesmas que ofertadas a outros 110 países do mundo”, afirmou Murillo.

Carta enviada ao presidente também não foi respondida

O executivo da farmacêutica não confirmou se foi enviado uma carta propondo “prioridade ao Brasil” na compra de vacinas, mas disse que a Pfizer enviou documento propondo ao presidente Jair Bolsonaro um acordo para a compra de doses.

“O que eu posso confirmar é que depois dessas ofertas, nosso CEO (presidente mundial) mandou uma comunicação ao governo do Brasil com o interesse em firmar um acordo. A carta foi enviada em 12 de setembro e foi destinada ao presidente Bolsonaro, vice Hamilton Mourão; ministro da Casa Civil, Braga Neto; Eduardo Pazuello, Paulo Guedes e embaixador do Brasil, Nestor Forster”, contou.

Pazuello demonstrou preocupação com logística

Quanto às negociações, Carlos Murillo afirmou que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello se reuniu com ele e demonstrou preocupação com a logística das vacinas e armazenamento, tendo em vista que as doses precisam estar condicionadas em temperaturas muito baixas (setenta graus negativos).

A segunda preocupação dele era quanto a autorização do poder Legislativo, específico para atender as legislações contratuais. “[Mas] estávamos negociando, isso no mês de novembro, dezembro e janeiro”, disse.

Texto: Milena Soares

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