quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cientistas sofrem ataques e denunciam negacionismo do Governo Federal

Natália Pasternack e Claudio Maierovitch depuseram por mais de oito horas na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid e evidenciaram a opção negacionista do governo.
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Foram mais de oito horas de depoimentos prestados pela bióloga Natalia Pasternak e pelo médico sanitarista Cláudio Maierovitch à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado.

Ao longo de toda a sessão, o discurso de ambos destacou que a pandemia atingiu o nível que está no Brasil pela postura negacionista do Governo Federal, que negligenciou a compra de vacinas, apostou em medicamentos sem efeito no chamado tratamento precoce e hostilizou governadores e prefeitos que optaram pelos decretos de isolamento social.

Embate

A postura dos cientistas acirrou a polemização entre os senadores governistas e os do grupo G7, formado por senadores independentes e os dois da oposição. Os governistas destacaram a postura política de ambos em oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O primeiro a atacá-los foi o senador Jorginho Mello (PL-SC), que recuperou falas de Natalia Pasternak e a participação de Claudio Maierovitch no governo do PT. “Quero destacar essa postura política dos senhores, pois enfraquece a defesa da ciência feita na apresentação aqui”, disse Jorginho.

Natalia Pasternak, que mantém uma Organização Não-Governamental, o Instituto Questão de Ciência, explicou aos senadores as práticas da ciência – que busca a verdade e portanto não tem lados – para rebater argumentos do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) de que há vários outros cientistas que defendem o tratamento precoce com o uso de cloroquina, ivermectiva e azitromicina.

“Senador, a ciência, com seus métodos e princípios, olha para frente, definindo eficácia e interações”, explicou, lembrando que nenhum estudo feito até o momento deu sinais do que pode acontecer a alguém que toma esse coquetel ao mesmo tempo.

Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária na gestão de Dilma Rousseff, Claudio Maierovitch disse que sua posição política é conhecida há tempos e que ele não pode deixar de se posicionar politicamente porque o cargo que ele ocupa na Fundação Oswaldo Cruz de Brasília é o de coordenador de políticas públicas em saúde.

“O que trago aos senhores senadores é uma posição técnica, científica, mas não dá para não tratar de política numa casa como esse Senado, que é política”, afirmou.

O ataque dos governistas aos cientistas ouvidos nessa sexta-feira seguiu nas falas de Marcos Rogério (DEM-RO) e Eduardo Girão (Podemos-CE), todos respondidos com a mesma tônica: a ciência.

Ao final da sessão, ambos destacaram a importância da comissão para trazer o debate para o campo científico, o que eles defendem ser o mais correto.

Próxima sessão

A próxima sessão da CPI acontece na terça-feira (15) e tomará o depoimento do ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, cuja presença foi colocada em dúvida pelo senador Humberto Costa (PT-PE). “Tem que saber se ele vem”, disse ao final da sessão, numa referência ao habeas corpus concedido pela ministra do STF, Rosa Weber, facultando ao governador Wilson Lima o direito de ir ou não prestar depoimento na comissão.

No HC, Rosa Weber justifica que Wilson já é investigado e denunciado no Superior Tribunal de Justiça e que uma ida a CPI equivaleria a uma condução coercitiva. Marcellus está na mesma situação do governador e, portanto, poderá obter o mesmo direito de escolher se vai ou não depor na terça.

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