quarta-feira, 23 de setembro de 2026

'Capitã Cloroquina' não perde por esperar, afirma presidente da CPI

A 'Capitã Cloroquina', adepta do tratamento precoce, que não tem comprovação de eficácia contra a Covid, pede R$ 100 mil de indenização do senador que preside a CPI.
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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, senador Omar Aziz (PSD), disse, nesta terça-feira (27), que a secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”, não perde por esperar pela reabertura dos trabalhos da comissão na próxima semana.

A fala é uma resposta a ação apresentada contra ele por Mayra na Vara Cível do Distrito Federal pedindo R$ 100 mil de indenização por danos morais e suposta divulgação de dados pessoais.

“Ela tem de explicar é o por quê fez de Manaus uma cobaia para este tratamento precoce e depois quis vendê-lo para Portugal. Nada do que saiu sobre ela é conteúdo íntimo, são todas falas de interesse público”, justificou o senador, acrescentando que a tática do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) de atacá-lo não vai funcionar, pois os erros, omissões e mentiras da “Capitã Cloroquina” estão provadas e bem documentadas.

Em um vídeo divulgado pelo site The Intercept Brasil, na última quinta-feira, e que constava de um email trocado por Mayra com um interlocutor, ela aparece fazendo uma espécie de “midia trainning”, um treino, antes de depor na CPI.

Gol da ‘Capitã Cloroquina’

No vídeo, a “Capitã Cloroquina” pede que um colega de ministério, o infectologista Hélio Angotti, lhe encaminhe perguntas para que repassasse aos senadores governistas, que jogariam para ela “fazer um gol” durante o depoimento.

“Ela expôs os senadores, terça-feira vou perguntar quem jogou para ela fazer gol, porque para mim ninguém joga! E olha que fazia muitos gols nas peladas lá do Monte Cristo”, ironizou o senador, lembrando campos de peladas de futebol que existiam numa antiga ilha localizada nas margens do rio Negro, no Centro de Manaus.

Omar Aziz também informou que responderá ao ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, que deu prazo de cinco dias para ele se manifestar sobre a divulgação dos vídeos contidos nos emails de Mayra, explicando que os conteúdos são de interesse público e não há nada neles que comprometam a intimidade da médica. “A Lava Jato vazava até o que não existia, agora ela vem com essa brincadeira. Ela que me espere na próxima terça-feira”, afirmou o senador.

A CPI da Covid retoma os trabalhos na próxima semana tomando o depoimento do reverendo Amilton Gomes de Paula, na terça-feira. No dia seguinte será a vez do dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, e na quinta-feira (5) o advogado da empresa, Túlio Silveira.

Texto: Gerson Severo Dantas

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